2011,  Textos

Solidão

Olá folha branco, e aqui nos encontramos uma vez mais,

assim como o silêncio, como o escuro, ou como o corpo nu, é incrível como de repente, acabo sempre me deparando com algum de vocês,

É tão irônico isso, a solidão vir acompanhada, por todas as vezes que eu fico sozinha com vocês, eu não estou mais sozinha, vocês são praticamente pedaços de mim, alguém da família que me conhece profundamente, que sabe os meus sucessos e fraquezas. Que sempre cria espaço pra vir me visitar,

Que nunca me abandonam, pois no fundo, lá estão, preenchendo o vazio, sendo o vazio do meu cheio. Eu não posso transbordar a qualquer hora, mas eu também não quero que a minha alma seque.

Preencher o vazio que vocês me trazem, é o que me move,

é escrever na folha branca, é gritar no silencio, é ligar a luz no escuro, é vestir o corpo.

Mas e a solidão? O que fazer? Como preencher o espaço que falta, como escrevê-la, gritá-la, ligá-la, vesti-la?

Mesmo se eu escrevê-la eu ainda não teria dito tudo, por mais que eu gritasse, sua falta de ouvidos a incapacitariam de me escutar, ligá-la não iria afasta-la, só a tornaria mais nítida, e vestí-la, seria a maneira mais covarde de tentar cobrir algo que nunca vai sumir.

Solidão, te convido então para ir embora, não preciso de ninguém vindo para te substituir,

eu vou convidar a mim mesma, pois eu vou me descobrir, e ser minha amiga, e me conhecer, e saber quem eu sou,

e assim, nunca mais estarei sozinha, e não precisarei de mais ninguém,

a não ser de mim mesma.

 

Isadora Mello (2011)

Créditos da Imagem: Weheartit

 

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