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	<title>Textos &#8211; Psiqueros</title>
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	<title>Textos &#8211; Psiqueros</title>
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		<title>Roda Gigante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jan 2020 20:54:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[A luz rosa brilhava no seu rosto. Seus dentes já não eram mais brancos em seu sorriso. Você parecia assumir sete anos de idade na afobação infantil de quem vislumbra algo lindo e se contorce entre admirar por si só e querer compartilhar a imagem com mais alguém. Você quis dividir aquela emoção comigo, e eu me senti uns dez anos mais velha. A gente correu em tempos diferentes, e esse cenário me parece mais claro agora, eu não consigo te acompanhar. Eu não consigo entrelaçar meus dedos nos seus e dar aquela apertadinha como se nossos dedos fossem nós. Eu não consigo me conter de naturalmente virar um pouco o rosto toda vez que você chega para me beijar, e eu quero que você encoste na minha bochecha e não mais nos meus lábios. O seu riso é tão grande, que você ainda não percebe os pequenos distanciamentos do meu ser, você se distrai querendo me mostrar o mundo e me incluir no seu presente, sem perceber que eu não tenho mais vontade de estar ali. Sem perceber que eu jamais estive ali. Sua positividade age como brilho luminoso, algo lindo, porém ofuscante, que te impede de ver, ou porque você talvez não queira ver. Talvez essa seja sua estratégia, fingir não ver até o ponto de conseguir contornar essa situação, dar uma reviravolta e me conquistar mais uma vez, me fazer apaixonar. Mas eu já não consigo olhar para trás e concluir se você um dia você já chegou a me conquistar para poder fazer isso de novo. Acho que você nunca conseguiu. Mas não por incompetência sua. Por incapacidade minha mesmo. Seu erro foi ser bom demais. Bom demais para mim e eu não ter aptidão de perceber isso. A gente está nesse parque de diversões, tentando recriar aquele primeiro encontro. De quando nos conhecemos, exatamente depois de ambos terem levado um fora e termos sido rejeitados. A gente começou tão devagarzinho, sem pressa, sem expectativa. A gente sentou na roda gigante, e aquele momento pareceu uma eternidade, nossas coxas encostavam uma na outra, mas eu olhava para um lado, e você para o outro. Naqueles dias você não tinha interesse em fazer minha visão apontar para onde você olhava, mesmo que a vista daquele seu lugar fosse bem mais interessante que o da minha perspectiva. Na verdade, você virou bastante o seu rosto, para que eu não visse que você estava chorando, e eu realmente não vi. Mas dava para ouvir. A gente se encontrou para remediar a solidão que acometia aos dois. Logo no primeiro encontro a gente já se emendou de nos beijarmos, de dormirmos juntos e abraçados, nesse momento tivemos pressa, nenhum de nós queria ir embora, nesse momento estávamos em sintonia no mesmo instante. Nosso momento não durou por muito tempo. Mesmo que eu não fosse a pessoa que você queria, e você também não fosse exatamente quem eu tinha em mente, a gente se acostumou e se permitiu ser o conforto um do outro. Nós quisemos combater a frieza, sem deixar que a cama chegasse a perder o calor. Quem ia nos conhecendo como casal ia se surpreendendo com a rapidez que nos envolvemos, ainda mais quando sabiam o nosso histórico de que havíamos acabado de acabar com nossos respectivos antigos pares, mas eu e você estávamos seguros andando de mãos dadas, levando o tempo que fosse, julgando que estávamos conseguindo lidar com nossos relógios, carregando lentamente um dia depois do outro. Esperando o amor chegar ali, entre a gente, nos alcançar e surgir da maneira que a gente sabia que ele surgia, meio que nos golpeando e nos deixando sem saída. Ambos já haviam passado por isso antes, e a gente sabia como era. E nunca chegava a hora de ser. Porque nunca era como já havia sido. Parece que ninguém imaginava que a gente chorava um no ombro do outro que éramos bem parceiros, e por isso só amigos. Amigos que dormiam juntos, que permaneciam abraçadinhos. Eu não sei exatamente quando isso mudou entre nós, que mudou para você na verdade, porque eu me enxergo na mesma, eu me enxergo querendo você, mas não necessariamente precisando de você. E eu lamento. O amor te golpeou, e eu instintivamente devo ter apenas me esquivado. Achei que caminharíamos juntos, mas estamos em páginas diferentes, não sei se você se apressou, se eu atrasei, só sei que era jamais para ser. Achei que jamais fosse ser. Mas para você é, você não chora mais comigo, nem me conta angustias, você me fala de planos, você me fala de sonhos, você me coloca por entre suas palavras, como se eu fosse requisito mínimo para a concretização daqueles acontecimentos. Quando foi que a gente perdeu a mão? Quando foi que você parou de pensar nela, para aderir e aceitar a mim? Por que você sequer me quis? E por que eu não fui capaz de fazer o mesmo? Eu ainda preciso chorar no seu ombro por ele, e você não se importa. Era para você se importar, de detestar sentir gotas quentes com espectros de outra pessoa, de ter alguém presente ali que não está realmente ali, de não querer ser machucado de novo, e ainda mais e principalmente por mim. Que não sou ela. Que não te mereço. Que não mereço seu sorriso de roda gigante e a luz natural dos seus olhos. Não ainda, e talvez jamais. Porque eu confesso o que eu sou incapaz de ver, de valorizar. Que eu me torno a sua ela quando resolvo ir embora, enquanto eu não quero ninguém mais além do que ele. O tempo que estendo aqui com você, é me esforçando pra poder corresponder seus sentimentos, você não merece, eu quero aprender. Mas a situação é tão complicada, tem dias que acordo e paro para pensar que estou te impedindo de conhecer alguém melhor, e que estou te obrigando a permanecer com alguém como eu, que não pode te entregar metade do que você deseja, metade do que você merece. Mas ao mesmo tempo não quero quebrar seu coração indo embora. Enquanto minha permanecia não correspondente machucar menos seu coração do que minha partida, eu me submeto a ficar aqui. Insistindo em me deixar envolver por você, me permitindo ser conquistada. Olhando para onde seus dedos apontam, segurando sua mão quando você me estende. Visualizando seu sorriso na minha mente e tentando repetir. Você merece alguém melhor do que eu. Alguém que possa te olhar, te amar, sorrir para você do jeito que você precisa, do jeito que você faz. Você é bom demais para ser verdade. Você é bom demais para ser meu. &#160; Texto: Isadora Mello Imagem: colagem de imagens da internet por Isadora Mello 2019]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A luz rosa brilhava no seu rosto. Seus dentes já não eram mais brancos em seu sorriso. Você parecia assumir sete anos de idade na afobação infantil de quem vislumbra algo lindo e se contorce entre admirar por si só e querer compartilhar a imagem com mais alguém. Você quis dividir aquela emoção comigo, e eu me senti uns dez anos mais velha. A gente correu em tempos diferentes, e esse cenário me parece mais claro agora, eu não consigo te acompanhar. Eu não consigo entrelaçar meus dedos nos seus e dar aquela apertadinha como se nossos dedos fossem nós. Eu não consigo me conter de naturalmente virar um pouco o rosto toda vez que você chega para me beijar, e eu quero que você encoste na minha bochecha e não mais nos meus lábios.</p>
<p>O seu riso é tão grande, que você ainda não percebe os pequenos distanciamentos do meu ser, você se distrai querendo me mostrar o mundo e me incluir no seu presente, sem perceber que eu não tenho mais vontade de estar ali.</p>
<p>Sem perceber que eu jamais estive ali.</p>
<p>Sua positividade age como brilho luminoso, algo lindo, porém ofuscante, que te impede de ver, ou porque você talvez não queira ver.</p>
<p>Talvez essa seja sua estratégia, fingir não ver até o ponto de conseguir contornar essa situação, dar uma reviravolta e me conquistar mais uma vez, me fazer apaixonar. Mas eu já não consigo olhar para trás e concluir se você um dia você já chegou a me conquistar para poder fazer isso de novo. Acho que você nunca conseguiu. Mas não por incompetência sua. Por incapacidade minha mesmo. Seu erro foi ser bom demais. Bom demais para mim e eu não ter aptidão de perceber isso.</p>
<p>A gente está nesse parque de diversões, tentando recriar aquele primeiro encontro. De quando nos conhecemos, exatamente depois de ambos terem levado um fora e termos sido rejeitados. A gente começou tão devagarzinho, sem pressa, sem expectativa. A gente sentou na roda gigante, e aquele momento pareceu uma eternidade, nossas coxas encostavam uma na outra, mas eu olhava para um lado, e você para o outro.</p>
<p>Naqueles dias você não tinha interesse em fazer minha visão apontar para onde você olhava, mesmo que a vista daquele seu lugar fosse bem mais interessante que o da minha perspectiva.</p>
<p>Na verdade, você virou bastante o seu rosto, para que eu não visse que você estava chorando, e eu realmente não vi. Mas dava para ouvir. A gente se encontrou para remediar a solidão que acometia aos dois. Logo no primeiro encontro a gente já se emendou de nos beijarmos, de dormirmos juntos e abraçados, nesse momento tivemos pressa, nenhum de nós queria ir embora, nesse momento estávamos em sintonia no mesmo instante.</p>
<p>Nosso momento não durou por muito tempo.</p>
<p>Mesmo que eu não fosse a pessoa que você queria, e você também não fosse exatamente quem eu tinha em mente, a gente se acostumou e se permitiu ser o conforto um do outro.</p>
<p>Nós quisemos combater a frieza, sem deixar que a cama chegasse a perder o calor.</p>
<p>Quem ia nos conhecendo como casal ia se surpreendendo com a rapidez que nos envolvemos, ainda mais quando sabiam o nosso histórico de que havíamos acabado de acabar com nossos respectivos antigos pares, mas eu e você estávamos seguros andando de mãos dadas, levando o tempo que fosse, julgando que estávamos conseguindo lidar com nossos relógios, carregando lentamente um dia depois do outro.</p>
<p>Esperando o amor chegar ali, entre a gente, nos alcançar e surgir da maneira que a gente sabia que ele surgia, meio que nos golpeando e nos deixando sem saída. Ambos já haviam passado por isso antes, e a gente sabia como era.</p>
<p>E nunca chegava a hora de ser.</p>
<p>Porque nunca era como já havia sido.</p>
<p>Parece que ninguém imaginava que a gente chorava um no ombro do outro que éramos bem parceiros, e por isso só amigos. Amigos que dormiam juntos, que permaneciam abraçadinhos.</p>
<p>Eu não sei exatamente quando isso mudou entre nós, que mudou para você na verdade, porque eu me enxergo na mesma, eu me enxergo querendo você, mas não necessariamente precisando de você.</p>
<p>E eu lamento. O amor te golpeou, e eu instintivamente devo ter apenas me esquivado.</p>
<p>Achei que caminharíamos juntos, mas estamos em páginas diferentes, não sei se você se apressou, se eu atrasei, só sei que era jamais para ser. Achei que jamais fosse ser.</p>
<p>Mas para você é, você não chora mais comigo, nem me conta angustias, você me fala de planos, você me fala de sonhos, você me coloca por entre suas palavras, como se eu fosse requisito mínimo para a concretização daqueles acontecimentos.</p>
<p>Quando foi que a gente perdeu a mão? Quando foi que você parou de pensar nela, para aderir e aceitar a mim? Por que você sequer me quis? E por que eu não fui capaz de fazer o mesmo?</p>
<p>Eu ainda preciso chorar no seu ombro por ele, e você não se importa. Era para você se importar, de detestar sentir gotas quentes com espectros de outra pessoa, de ter alguém presente ali que não está realmente ali, de não querer ser machucado de novo, e ainda mais e principalmente por mim. Que não sou ela. Que não te mereço.</p>
<p>Que não mereço seu sorriso de roda gigante e a luz natural dos seus olhos. Não ainda, e talvez jamais. Porque eu confesso o que eu sou incapaz de ver, de valorizar. Que eu me torno a sua ela quando resolvo ir embora, enquanto eu não quero ninguém mais além do que ele.</p>
<p>O tempo que estendo aqui com você, é me esforçando pra poder corresponder seus sentimentos, você não merece, eu quero aprender.</p>
<p>Mas a situação é tão complicada, tem dias que acordo e paro para pensar que estou te impedindo de conhecer alguém melhor, e que estou te obrigando a permanecer com alguém como eu, que não pode te entregar metade do que você deseja, metade do que você merece. Mas ao mesmo tempo não quero quebrar seu coração indo embora.</p>
<p>Enquanto minha permanecia não correspondente machucar menos seu coração do que minha partida, eu me submeto a ficar aqui. Insistindo em me deixar envolver por você, me permitindo ser conquistada. Olhando para onde seus dedos apontam, segurando sua mão quando você me estende. Visualizando seu sorriso na minha mente e tentando repetir.</p>
<p>Você merece alguém melhor do que eu. Alguém que possa te olhar, te amar, sorrir para você do jeito que você precisa, do jeito que você faz.</p>
<p>Você é bom demais para ser verdade. Você é bom demais para ser meu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Texto: Isadora Mello</p>
<p>Imagem: colagem de imagens da internet por Isadora Mello</p>
<p>2019</p>
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		<title>Quando você estiver olhando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2019 19:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu sei que ultimamente venho imaginando a sua reação ao me ler, me vejo propositalmente direcionando o que faço para você. Mesmo que eu não te ame mais, nem que sofra, eu ainda tento entender o porquê dessas minhas atitudes, o que me leva a pensar desse jeito. Eu sei que venho repetindo tantas palavras, minhas histórias parecem tão iguais, e escuto apenas a mesma música no repeat. Talvez você ainda exista dentro de mim, de alguma forma. Eu senti isso uma outra vez um pouco antes, agora que eu sabia que você estava vendo, o que eu ia deixar você ver? Parece que sempre adoro controlar um pouco desse seu olhar, eu sempre procuro encontrar e descobrir o que você está pensando. E você finge não ver, Eu acho que queria te manter a par de alguns fatos, queria me desculpar, quem sou eu se eu não estiver sempre me explicando? Você me conheceu como poucas pessoas me conheceram, e ao mesmo tempo, eu já não sou mais aquela pessoa, isso não quer dizer que eu personifiquei um personagem quando eu estava do seu lado, mas eu não era eu mesma, hoje eu me descobri, redescobri, me reencontrei, eu sou uma versão de mim mesma que eu sempre amei e que você jamais conheceu, que havia se escondido e adormecido em algum canto dentro de mim antes de você surgir na minha vida, a viagem que eu fiz me permitiu reencontrá-la. A dor havia me desfigurado, não apenas a dor que você me causou, mas uma dor anterior também, quando você me conheceu, eu era apenas resto de tudo aquilo. Eu já era doída (e talvez doida) e também mais insegura, desconfiada, temerosa, consequência branda de cada item em sequência. Tudo deu errado, faz sentido, fiquei tropeçando nesses mesmos erros, e você foi o único capaz de dar um fim nisso tudo. Eu disse que você era fraco, mas na verdade eu agora consigo ver, o quão forte você foi. Precisava de muita coragem para botar um ponto final, e você logrou isso. Eu ainda não entendo milhões de coisas, mas percebo que precisávamos ter estado juntos, e terminado, para eu estar onde eu estou agora. Eu gosto muito da vista daqui, e às vezes lamento não poder ter alguém para compartilhar dessa visão. Eu vejo muito do que foi ruim, mas eu não mudaria nada, existe um quê de belo de tudo isso que foi apenas trágico. Eu sinto que te devo muitas justificativas, porque se você realmente, estiver lendo o que eu digo, eu não quero que você se machuque, foram muitas idas e vindas, um turbilhão de emoções e sentimentos que nos seus altos e baixos se misturaram e viraram versões e mutações deles mesmos, eu escrevi com amor, com tristeza, com dor, com raiva, eu tenho registro de cada momento desses, hoje tenho segundas e terceiras reações em segundas e terceiras releituras, mas eu não ouso mudar ou apagar as palavras. Talvez se eu tiver que reescrever esse mesmo texto, eu nem mais sinta as mesmas emoções de agora e ele poderia ser totalmente diferente do que ele é agora. Mas por enquanto, ele é isso que eu te digo, eu sou essa pessoa que nesse momento escreve. Eu sou essa pessoa que você não conhece mais, e agora somos estranhos um para o outro. Eu quero desabafar que eu sinto as lágrimas nos meus olhos neste exato momento, eu quero desabafar que imaginei eu e você juntos apenas deitados na cama e eu senti falta disso, eu senti falta de mãos entre mãos, olhos no fundo dos olhos, eu vivo uma inconstância louca de ter uma vontade de falar com você, só pra saber como você está, o que você está fazendo, eu morro de vontade de saber o que você pensa de mim, eu respondo por você a partir de mim mesma. Às vezes você não significa nada para mim, às vezes eu esqueço qualquer detalhe em particular sobre você, às vezes eu acho que foi melhor assim, eu concluo que sua figura se alterou perante meus olhos, e hoje em dia muito seu foi se estragando para mim até você ficar todo estragado (ou ao menos, irreconhecível). Mas e nos dias que não são assim? Eu sei que eu superei, mas no fundo mesmo, ainda existe uma teimosia minha que quer batalhar por todo e qualquer amor, que se atrai justamente pelas adversidades e complicações, que adora as emoções da tristeza, das dificuldades, um lado meu que gosta de sofrer, simplesmente pela graça de viver a vida como num filme, com suas reviravoltas e com diálogos interessantes, com sentimentos a flor da pele, intensidade. Porque eu sei que você ia me machucar. Porque eu guardei milhões de palavras, enquanto ainda estávamos juntos, e mais ainda quando você acabou com tudo, e todas essas palavras querem ganhar sua vida, e seu protagonismo. Talvez a dor ative mais fagulhas no meu cérebro que qualquer felicidade, orgasmos mentais que em sua ausência, constam apenas pela abstinência. Eu procuro motivos para escrever. Ao mesmo tempo, quando imagino você lendo, eu sei que acabo escrevendo diferente, eu modulo, eu adapto, e eu juro para você, que eu não quero escrever com essas limitações, com essa expectativa. Eu não quero mudar os meus sentimentos de escrever só para não te machucar. Eu queria que você acompanhasse alguns dos meus passos, são sequências bonitas, que você não teve a oportunidade de captar. Hoje em dia eu danço enquanto dirijo, eu sorrio mais e tenho momentos mais duradouros de felicidade, sou melhor falando e ouvindo, eu cresci, tenho mais histórias para contar, tenho muitas histórias antigas que jamais contei mas que agora tive oportunidade de revisitar, reviver e reativar. E ao mesmo tempo, tudo talvez se deva porque eu não tenho mais você na minha vida. Você fez questão que eu visse que você viu, e eu não entendo como e onde isso se aplica em mim e na gente, você usou minhas próprias palavras contra mim mesma, essa foi minha impressão, ou era apenas sua forma de também de certa forma pedir desculpas porque você reconheceu essas dores, e se sentiu responsável por permitir ou até, causá-las em mim? Mas eu não falei só e justamente de você. Eu sinto você perto por agora, nesses últimos dias, por enquanto. Você voltou a me fazer pensar em você e no que você está pensando, porque agora eu tenho mais certeza das coisas que você realmente viu, mas ainda estão abertas as lacunas de imaginar o que você pensou ou diria sobre. Você continua me entregando e tirando coisas de mim. Não consigo associar você com outra coisa que não com as dúvidas que você me deixa. Mas na maioria das vezes, você também só continua fingindo não ver. Então eu também vou fingir que não sei que você vê. &#160; Isadora Mello, 27 de março de 2019 Créditos da Imagem: Weheartit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sei que ultimamente venho imaginando a sua reação ao me ler, me vejo propositalmente direcionando o que faço para você. Mesmo que eu não te ame mais, nem que sofra, eu ainda tento entender o porquê dessas minhas atitudes, o que me leva a pensar desse jeito. Eu sei que venho repetindo tantas palavras, minhas histórias parecem tão iguais, e escuto apenas a mesma música no repeat.</p>
<p>Talvez você ainda exista dentro de mim, de alguma forma.</p>
<p>Eu senti isso uma outra vez um pouco antes, agora que eu sabia que você estava vendo, o que eu ia deixar você ver? Parece que sempre adoro controlar um pouco desse seu olhar, eu sempre procuro encontrar e descobrir o que você está pensando.</p>
<p>E você finge não ver,</p>
<p>Eu acho que queria te manter a par de alguns fatos, queria me desculpar, quem sou eu se eu não estiver sempre me explicando?</p>
<p>Você me conheceu como poucas pessoas me conheceram, e ao mesmo tempo, eu já não sou mais aquela pessoa, isso não quer dizer que eu personifiquei um personagem quando eu estava do seu lado, mas eu não era eu mesma, hoje eu me descobri, redescobri, me reencontrei, eu sou uma versão de mim mesma que eu sempre amei e que você jamais conheceu, que havia se escondido e adormecido em algum canto dentro de mim antes de você surgir na minha vida, a viagem que eu fiz me permitiu reencontrá-la.</p>
<p>A dor havia me desfigurado, não apenas a dor que você me causou, mas uma dor anterior também, quando você me conheceu, eu era apenas resto de tudo aquilo. Eu já era doída (e talvez doida) e também mais insegura, desconfiada, temerosa, consequência branda de cada item em sequência. Tudo deu errado, faz sentido, fiquei tropeçando nesses mesmos erros, e você foi o único capaz de dar um fim nisso tudo. Eu disse que você era fraco, mas na verdade eu agora consigo ver, o quão forte você foi. Precisava de muita coragem para botar um ponto final, e você logrou isso.</p>
<p>Eu ainda não entendo milhões de coisas, mas percebo que precisávamos ter estado juntos, e terminado, para eu estar onde eu estou agora. Eu gosto muito da vista daqui, e às vezes lamento não poder ter alguém para compartilhar dessa visão. Eu vejo muito do que foi ruim, mas eu não mudaria nada, existe um quê de belo de tudo isso que foi apenas trágico.</p>
<p>Eu sinto que te devo muitas justificativas, porque se você realmente, estiver lendo o que eu digo, eu não quero que você se machuque, foram muitas idas e vindas, um turbilhão de emoções e sentimentos que nos seus altos e baixos se misturaram e viraram versões e mutações deles mesmos, eu escrevi com amor, com tristeza, com dor, com raiva, eu tenho registro de cada momento desses, hoje tenho segundas e terceiras reações em segundas e terceiras releituras, mas eu não ouso mudar ou apagar as palavras.</p>
<p>Talvez se eu tiver que reescrever esse mesmo texto, eu nem mais sinta as mesmas emoções de agora e ele poderia ser totalmente diferente do que ele é agora. Mas por enquanto, ele é isso que eu te digo, eu sou essa pessoa que nesse momento escreve. Eu sou essa pessoa que você não conhece mais, e agora somos estranhos um para o outro.</p>
<p>Eu quero desabafar que eu sinto as lágrimas nos meus olhos neste exato momento, eu quero desabafar que imaginei eu e você juntos apenas deitados na cama e eu senti falta disso, eu senti falta de mãos entre mãos, olhos no fundo dos olhos, eu vivo uma inconstância louca de ter uma vontade de falar com você, só pra saber como você está, o que você está fazendo, eu morro de vontade de saber o que você pensa de mim, eu respondo por você a partir de mim mesma. Às vezes você não significa nada para mim, às vezes eu esqueço qualquer detalhe em particular sobre você, às vezes eu acho que foi melhor assim, eu concluo que sua figura se alterou perante meus olhos, e hoje em dia muito seu foi se estragando para mim até você ficar todo estragado (ou ao menos, irreconhecível). Mas e nos dias que não são assim?</p>
<p>Eu sei que eu superei, mas no fundo mesmo, ainda existe uma teimosia minha que quer batalhar por todo e qualquer amor, que se atrai justamente pelas adversidades e complicações, que adora as emoções da tristeza, das dificuldades, um lado meu que gosta de sofrer, simplesmente pela graça de viver a vida como num filme, com suas reviravoltas e com diálogos interessantes, com sentimentos a flor da pele, intensidade.</p>
<p>Porque eu sei que você ia me machucar.</p>
<p>Porque eu guardei milhões de palavras, enquanto ainda estávamos juntos, e mais ainda quando você acabou com tudo, e todas essas palavras querem ganhar sua vida, e seu protagonismo.</p>
<p>Talvez a dor ative mais fagulhas no meu cérebro que qualquer felicidade, orgasmos mentais que em sua ausência, constam apenas pela abstinência.</p>
<p>Eu procuro motivos para escrever.</p>
<p>Ao mesmo tempo, quando imagino você lendo, eu sei que acabo escrevendo diferente, eu modulo, eu adapto, e eu juro para você, que eu não quero escrever com essas limitações, com essa expectativa. Eu não quero mudar os meus sentimentos de escrever só para não te machucar.</p>
<p>Eu queria que você acompanhasse alguns dos meus passos, são sequências bonitas, que você não teve a oportunidade de captar.</p>
<p>Hoje em dia eu danço enquanto dirijo, eu sorrio mais e tenho momentos mais duradouros de felicidade, sou melhor falando e ouvindo, eu cresci, tenho mais histórias para contar, tenho muitas histórias antigas que jamais contei mas que agora tive oportunidade de revisitar, reviver e reativar. E ao mesmo tempo, tudo talvez se deva porque eu não tenho mais você na minha vida.</p>
<p>Você fez questão que eu visse que você viu, e eu não entendo como e onde isso se aplica em mim e na gente, você usou minhas próprias palavras contra mim mesma, essa foi minha impressão, ou era apenas sua forma de também de certa forma pedir desculpas porque você reconheceu essas dores, e se sentiu responsável por permitir ou até, causá-las em mim?</p>
<p>Mas eu não falei só e justamente de você.</p>
<p>Eu sinto você perto por agora, nesses últimos dias, por enquanto. Você voltou a me fazer pensar em você e no que você está pensando, porque agora eu tenho mais certeza das coisas que você realmente viu, mas ainda estão abertas as lacunas de imaginar o que você pensou ou diria sobre.</p>
<p>Você continua me entregando e tirando coisas de mim.</p>
<p>Não consigo associar você com outra coisa que não com as dúvidas que você me deixa.</p>
<p>Mas na maioria das vezes, você também só continua fingindo não ver.</p>
<p>Então eu também vou fingir que não sei que você vê.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello, 27 de março de 2019</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
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		<title>Armadilhas</title>
		<link>https://psiqueros.com/armadilhas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Aug 2019 21:21:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2018]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Impasses e Armadilhas, essa é a nossa relação. Percebo que você consegue captar direitinho a minha energia, por mais que logo você seja a pessoa que não acredita muito nessas coisas. Me sinto contra  a parede com você, em todos os nossos opostos, porque dentro de mim existe um fogo tão forte, que te deseja tanto e com tanta força, e que exatamente por ser desse jeito você sente a necessidade de me extinguir. E tudo que me corta e me diminui, me leva junto, e eu me sinto pequena, inútil e insuficiente. E então nossos ciclos começam, você não gosta desse meu lado fraco e desse meu lado frágil, essa não é a pessoa por quem você se apaixonou, ao mesmo tempo você não me deixa ser aquela força que eu gostaria de ser e que eu sei que existe dentro de mim, é quando eu sou essa pessoa que você me procura, que você me precisa, que você vem atrás de mim. Mas ser tão intensa e não levar nada de volta, é o que me desmotiva, é o que me diminui, é eu ver eu usar todas as minhas forças, é dar tudo o que eu tenho, e ver que nada disso vale a pena, que ninguém merece, que eu sinto vontade de desistir. Seu amor é fraco, é pouco, eu me engatinho procurando me alimentar de suas migalhas, você me faz acreditar que eu esteja pedindo em exagero, que eu seja expansiva. E eu, te dando todos os sinais, te indicando todos os caminhos, te falando tudo o que precisava ser feito, porque você nunca mediu esforços em fazer o que eu tanto pedia, o que eu tanto precisava? Porque não sou um bom motivo suficiente? Porque não valho a pena o esforço? Minha vontade é de pagar na mesma moeda, ser tão fria, tão distante, tão sozinha, que você perceba o que é viver com a ausência da minha luz, que você sinta na pele o que é estar do lado de alguém e estar mesmo assim sempre só. E sabe o que mais? Ai você vai achar que sempre foi assim, que eu sempre fui desse jeito, e você vai achar que não vai querer mais estar do meu lado, mas sou eu que não estava querendo mais. Eu já me acostumei e me preparei uma vez pra não ter você, e eu vou reencontrar essa força de novo. Porque eu não posso me contentar com o pouco, eu não quero sentir que estou dando tudo de mim e não recebendo nada de volta, isso não está certo. No dia em que eu achei que você tivesse ido embora da minha vida de vez, eu sabia que eu ainda te amava, eu sabia que seria difícil eu amar alguém como eu amava você, ou encontrar uma pessoa com todas as suas qualidades. Mas ao mesmo tempo, eu soube identificar os seus defeitos e os seus problemas, eu vi que nossa relação há tempos já não era mais a mesma pela qual eu sempre amei. Confesso, é obvio, que nunca me senti segura, calma e em paz, sempre algo me incomodava, me deixava mal, então sei que nossa relação não foi sempre perfeita. Eu identifiquei que eu precisava me reerguer sozinha, ir atrás dos meus sonhos, me reaproximar dos meus amigos e dos meus familiares, focar nos meus projetos, no que eu precisava fazer. Eu sabia que você me afastava e tinha me afastado disso, eu sabia que a gente errava e continuava errando, que a gente abria concessão e se metia em umas armadilhas, eu sabia que eu me sentia sozinha e não amada, eu sabia que me sentia insegura e que tinha algo errado. Eu sabia, que pelo meu amor por você, eu sacrificava várias outras coisas e talvez tudo, da minha vida. E foi quando eu tirei suas fotos do meu quarto, foi quando eu guardei a sua roupa, foi quando eu finalmente aceitei que a gente tinha chegado ao nosso fim, que você percebeu que você precisava de mim. Você só percebe que precisa de mim quando você não me tem. Mas você não percebe que você vai me perdendo todos os dias, pouco a pouco, por tudo o que eu sabia que você poderia ser, tudo o que eu acredito que você tem a capacidade de ser, mas que você não é, e talvez por que eu não valhe esse esforço? Ou talvez porque você não me ame o suficiente? Você me acostumou com a sua ausência, com o seu silêncio, com os seus julgamentos, com os seus cortes.  Você me acostumou cada vez mais a te amar cada vez menos, porque eu sabia que o meu amor ia me machucar e me dilacerar e me destruir até o momento que não existisse e não sobrasse mais nada. E tudo isso, pra eu precisar mudar com você, pra eu precisar ser menos intensa, pra eu precisar sumir e me distanciar, tudo isso pra depois você achar que eu sempre fui assim. Quando eu não era. Quando eu não sou. A gente só  gosta daquilo que a gente não tem. E eu me resguardei nas nossas brigas, porque toda vez que a gente chegava no calor do momento de jogar tudo um na cara do outro, eram nesses momentos que eu sentia que você me amava. E eu não sei, eu realmente não sei o que fazer. Porque a gente já encarou o fim aquela vez, e foi a pior coisa, e apesar de eu ter me reerguido, eu não sei. Porque eu estou em dúvidas se essa minha vontade de me afastar é para que você de longe veja que realmente me quer próxima, ou se é simplesmente porque eu preciso estar longe de tudo, por conta própria, pelo meu próprio bem. Tenho que parar de esperar, de criar expectativas. Só que isso vai destruir a nossa relação. Mesmo se eu lutar com tudo o que eu tenho, mesmo se eu deixar ser do jeito que você quer; Porque é esse meu amor intenso que nos sustenta, e eu sei, eu sei que no momento em que eu parar, desistir, me esconder, me afastar, não vai ter mais nada para nos segurar, e quando você perceber (porque você não percebe), já vai ser tarde demais. E eu não vou querer mais, e você não vai querer mais, e vai parecer que foi sempre isso, e vai parecer que foi sempre assim. Vai parecer que sempre fomos distantes, fracos, poucos, insignificantes, sendo que a gente ficou assim, eu fiquei assim, por ter dado tanto de mim. Por ter exatamente, me previnido e tomado cuidado pra não acontecer. Mas a gente não consegue fugir do nosso destino. Mesmo com as voltas que a gente dá, com aquilo que a gente tenta consertar e remediar, com tudo o que tentamos adiar. Uma hora o destino chega, e nos coloca no lugar. E o destino hoje me diz, para eu parar, e ficar quieta, não porque você vai vir atrás de mim, mas pra gente acabar de vez. Para eu parar porque agora é o fim. Ou você tá comigo, ou você não está. &#160; Isadora Mello (2018) Créditos da Imagem: Retrato Isadora Mello &#8211; Foto por: Clara Araujo – @clarapnaraujo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Impasses e Armadilhas, essa é a nossa relação.</p>
<p>Percebo que você consegue captar direitinho a minha energia, por mais que logo você seja a pessoa que não acredita muito nessas coisas.</p>
<p>Me sinto contra  a parede com você, em todos os nossos opostos, porque dentro de mim existe um fogo tão forte, que te deseja tanto e com tanta força, e que exatamente por ser desse jeito você sente a necessidade de me extinguir. E tudo que me corta e me diminui, me leva junto, e eu me sinto pequena, inútil e insuficiente.</p>
<p>E então nossos ciclos começam, você não gosta desse meu lado fraco e desse meu lado frágil, essa não é a pessoa por quem você se apaixonou, ao mesmo tempo você não me deixa ser aquela força que eu gostaria de ser e que eu sei que existe dentro de mim,</p>
<p>é quando eu sou essa pessoa que você me procura, que você me precisa, que você vem atrás de mim.</p>
<p>Mas ser tão intensa e não levar nada de volta, é o que me desmotiva, é o que me diminui, é eu ver eu usar todas as minhas forças, é dar tudo o que eu tenho, e ver que nada disso vale a pena, que ninguém merece, que eu sinto vontade de desistir.</p>
<p>Seu amor é fraco, é pouco, eu me engatinho procurando me alimentar de suas migalhas, você me faz acreditar que eu esteja pedindo em exagero, que eu seja expansiva. E eu, te dando todos os sinais, te indicando todos os caminhos, te falando tudo o que precisava ser feito, porque você nunca mediu esforços em fazer o que eu tanto pedia, o que eu tanto precisava? Porque não sou um bom motivo suficiente? Porque não valho a pena o esforço?</p>
<p>Minha vontade é de pagar na mesma moeda, ser tão fria, tão distante, tão sozinha, que você perceba o que é viver com a ausência da minha luz, que você sinta na pele o que é estar do lado de alguém e estar mesmo assim sempre só.</p>
<p>E sabe o que mais? Ai você vai achar que sempre foi assim, que eu sempre fui desse jeito, e você vai achar que não vai querer mais estar do meu lado, mas sou eu que não estava querendo mais.</p>
<p>Eu já me acostumei e me preparei uma vez pra não ter você, e eu vou reencontrar essa força de novo. Porque eu não posso me contentar com o pouco, eu não quero sentir que estou dando tudo de mim e não recebendo nada de volta, isso não está certo.</p>
<p>No dia em que eu achei que você tivesse ido embora da minha vida de vez, eu sabia que eu ainda te amava, eu sabia que seria difícil eu amar alguém como eu amava você, ou encontrar uma pessoa com todas as suas qualidades.</p>
<p>Mas ao mesmo tempo, eu soube identificar os seus defeitos e os seus problemas, eu vi que nossa relação há tempos já não era mais a mesma pela qual eu sempre amei. Confesso, é obvio, que nunca me senti segura, calma e em paz, sempre algo me incomodava, me deixava mal, então sei que nossa relação não foi sempre perfeita. Eu identifiquei que eu precisava me reerguer sozinha, ir atrás dos meus sonhos, me reaproximar dos meus amigos e dos meus familiares, focar nos meus projetos, no que eu precisava fazer.</p>
<p>Eu sabia que você me afastava e tinha me afastado disso, eu sabia que a gente errava e continuava errando, que a gente abria concessão e se metia em umas armadilhas, eu sabia que eu me sentia sozinha e não amada, eu sabia que me sentia insegura e que tinha algo errado. Eu sabia, que pelo meu amor por você, eu sacrificava várias outras coisas e talvez tudo, da minha vida.</p>
<p>E foi quando eu tirei suas fotos do meu quarto, foi quando eu guardei a sua roupa, foi quando eu finalmente aceitei que a gente tinha chegado ao nosso fim, que você percebeu que você precisava de mim. Você só percebe que precisa de mim quando você não me tem. Mas você não percebe que você vai me perdendo todos os dias, pouco a pouco, por tudo o que eu sabia que você poderia ser, tudo o que eu acredito que você tem a capacidade de ser, mas que você não é, e talvez por que eu não valhe esse esforço? Ou talvez porque você não me ame o suficiente?</p>
<p>Você me acostumou com a sua ausência, com o seu silêncio, com os seus julgamentos, com os seus cortes.  Você me acostumou cada vez mais a te amar cada vez menos, porque eu sabia que o meu amor ia me machucar e me dilacerar e me destruir até o momento que não existisse e não sobrasse mais nada.</p>
<p>E tudo isso, pra eu precisar mudar com você, pra eu precisar ser menos intensa, pra eu precisar sumir e me distanciar, tudo isso pra depois você achar que eu sempre fui assim. Quando eu não era. Quando eu não sou. A gente só  gosta daquilo que a gente não tem. E eu me resguardei nas nossas brigas, porque toda vez que a gente chegava no calor do momento de jogar tudo um na cara do outro, eram nesses momentos que eu sentia que você me amava.</p>
<p>E eu não sei, eu realmente não sei o que fazer. Porque a gente já encarou o fim aquela vez, e foi a pior coisa, e apesar de eu ter me reerguido, eu não sei.</p>
<p>Porque eu estou em dúvidas se essa minha vontade de me afastar é para que você de longe veja que realmente me quer próxima, ou se é simplesmente porque eu preciso estar longe de tudo, por conta própria, pelo meu próprio bem. Tenho que parar de esperar, de criar expectativas. Só que isso vai destruir a nossa relação. Mesmo se eu lutar com tudo o que eu tenho, mesmo se eu deixar ser do jeito que você quer; Porque é esse meu amor intenso que nos sustenta, e eu sei, eu sei que no momento em que eu parar, desistir, me esconder, me afastar, não vai ter mais nada para nos segurar, e quando você perceber (porque você não percebe), já vai ser tarde demais.</p>
<p>E eu não vou querer mais, e você não vai querer mais, e vai parecer que foi sempre isso, e vai parecer que foi sempre assim. Vai parecer que sempre fomos distantes, fracos, poucos, insignificantes, sendo que a gente ficou assim, eu fiquei assim, por ter dado tanto de mim. Por ter exatamente, me previnido e tomado cuidado pra não acontecer. Mas a gente não consegue fugir do nosso destino.</p>
<p>Mesmo com as voltas que a gente dá, com aquilo que a gente tenta consertar e remediar, com tudo o que tentamos adiar. Uma hora o destino chega, e nos coloca no lugar. E o destino hoje me diz, para eu parar, e ficar quieta, não porque você vai vir atrás de mim, mas pra gente acabar de vez. Para eu parar porque agora é o fim.</p>
<p>Ou você tá comigo, ou você não está.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello (2018)</p>
<p>Créditos da Imagem: Retrato Isadora Mello &#8211; Foto por: Clara Araujo – @clarapnaraujo</p>
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		<title>Premeditado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2019 19:53:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Esse momento nunca mais vai existir igualmente assim. E eu que imploro por tantos temas externos, por que não aproveitar o agora que existe em mim? Esse agora confuso, em sulcos, em pulos. Esse agora que me fez acordar às 3h da madrugada e sentir dificuldade em voltar a dormir. Que me fez fantasiar mais uma mentira sutil que talvez não tenha sido nem captada, ou que nem leve a nenhuma importância. Esse agora no qual todos os pássaros estão voando e eu me acostumei a não contar com nada, com nenhum deles sequer. Com nenhuma permanência, nenhuma volta. Eu não vou estar aqui para sempre, eu não estarei aqui nem nos cinco meses daqui seguintes. Então, como pedir, se não dá para ficar? Como não ser também pássaro e não estar aqui, e exigir dos outros o que eu mesma não posso dar? Quero dizer que já sei, que me preparo sempre para saber. Porque depois, machuca menos. Com um, compartilhei todos os meus medos e com o outro, temo até não ter coragem de dizer nada, com ele, sou muda, me calo, me contenho, me contento. Nem conto com os outros, nem conto para eles. Qual é a linha que divide a mentira da omissão, do ato de esconder ou disfarçar? Até onde eu posso me permitir ir para dizer? Penso que talvez seja a minha própria  maneira de não ter nem que entregar o jogo para mim mesma, me previno de falar em voz alta, para que seja menos real, para que eu não tenha que saber de antemão, para eu me poupar de me escutar, ouvir isso saindo da minha boca. Eu sei que eu transferi meus medos para você. Porque eu sabia que se eu passasse pelo o que você passava, eu me conheceria o suficiente para saber, que eu não ia suportar, que eu ia me entregar, que eu sou de me apaixonar, que eu sou de ceder. E talvez eu não devesse mesmo ter dito para você, porque não significaria que você fosse ser igual a mim. Que eu não sou receita e você não segue procedimentos. Mas eu disse, escapou, foi mais forte do que eu, escorreu por entre minhas lágrimas em cachoeira. Era vívido e eu queria me manter no poder, ou ao menos, expressar e representar ele, mostrar que eu o tinha, que eu sabia. Provar. Se você soubesse que eu sabia, parecia que ia doer menos. (Mesmo você querendo que eu concluísse que não sabia). E eu na verdade não sei. Posso estar especulando agora, posso ser paranóica em exagero, posso ficar me obrigando a puxar esse encalces até que eles sejam reais o suficiente. Talvez não se aplique mesmo a você, o que será que você tem a me dizer? Você tem sequer qualquer coisa a me dizer? Porque eu, eu cai na minha própria armadilha, eu tentei transferir meu medo a ti, como forma de tirar de mim, mas ele vem preso em mim, ele sempre será meu, mesmo que também depois dividido e compartilhado com você. E eu queria que você tivesse me prevenido disso. Eu queria que você tivesse me mostrado motivos para lutar, eu queria que você tivesse implorado e que estivesse desesperado em fazer a gente funcionar. Eu te culpo tanto, meu amor, porque se não fosse por você, eu ainda estaria com você. Mas é você que me faz não ficar. Porque você me solta, e eu sei que sou suscetível nesse jogo de amar. E talvez você também o seja, e a gente pode ter se perdido por completo agora, sem saber nem quem foi o primeiro. Mas entendendo o porquê. E depois teremos esse medo de não querer ser o primeiro a falar, ou saber como contar, de que apareceu outra pessoa, que há um outro alguém. O premeditado, mas sinceramente? Jamais inevitável. &#160; Por: Isadora Mello, 30 de abril de 2019 Créditos da Imagem: Weheartit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esse momento nunca mais vai existir igualmente assim. E eu que imploro por tantos temas externos, por que não aproveitar o agora que existe em mim?</p>
<p>Esse agora confuso, em sulcos, em pulos. Esse agora que me fez acordar às 3h da madrugada e sentir dificuldade em voltar a dormir. Que me fez fantasiar mais uma mentira sutil que talvez não tenha sido nem captada, ou que nem leve a nenhuma importância.</p>
<p>Esse agora no qual todos os pássaros estão voando e eu me acostumei a não contar com nada, com nenhum deles sequer.</p>
<p>Com nenhuma permanência, nenhuma volta.</p>
<p>Eu não vou estar aqui para sempre, eu não estarei aqui nem nos cinco meses daqui seguintes. Então, como pedir, se não dá para ficar? Como não ser também pássaro e não estar aqui, e exigir dos outros o que eu mesma não posso dar?</p>
<p>Quero dizer que já sei, que me preparo sempre para saber. Porque depois, machuca menos.</p>
<p>Com um, compartilhei todos os meus medos e com o outro, temo até não ter coragem de dizer nada, com ele, sou muda, me calo, me contenho, me contento. Nem conto com os outros, nem conto para eles. Qual é a linha que divide a mentira da omissão, do ato de esconder ou disfarçar? Até onde eu posso me permitir ir para dizer? Penso que talvez seja a minha própria  maneira de não ter nem que entregar o jogo para mim mesma, me previno de falar em voz alta, para que seja menos real, para que eu não tenha que saber de antemão, para eu me poupar de me escutar, ouvir isso saindo da minha boca.</p>
<p>Eu sei que eu transferi meus medos para você. Porque eu sabia que se eu passasse pelo o que você passava, eu me conheceria o suficiente para saber, que eu não ia suportar, que eu ia me entregar, que eu sou de me apaixonar, que eu sou de ceder.</p>
<p>E talvez eu não devesse mesmo ter dito para você, porque não significaria que você fosse ser igual a mim.</p>
<p>Que eu não sou receita e você não segue procedimentos.</p>
<p>Mas eu disse, escapou, foi mais forte do que eu, escorreu por entre minhas lágrimas em cachoeira. Era vívido e eu queria me manter no poder, ou ao menos, expressar e representar ele, mostrar que eu o tinha, que eu sabia. Provar. Se você soubesse que eu sabia, parecia que ia doer menos. (Mesmo você querendo que eu concluísse que não sabia).</p>
<p>E eu na verdade não sei. Posso estar especulando agora, posso ser paranóica em exagero, posso ficar me obrigando a puxar esse encalces até que eles sejam reais o suficiente. Talvez não se aplique mesmo a você, o que será que você tem a me dizer? Você tem sequer qualquer coisa a me dizer?</p>
<p>Porque eu, eu cai na minha própria armadilha, eu tentei transferir meu medo a ti, como forma de tirar de mim, mas ele vem preso em mim, ele sempre será meu, mesmo que também depois dividido e compartilhado com você. E eu queria que você tivesse me prevenido disso. Eu queria que você tivesse me mostrado motivos para lutar, eu queria que você tivesse implorado e que estivesse desesperado em fazer a gente funcionar.</p>
<p>Eu te culpo tanto, meu amor, porque se não fosse por você, eu ainda estaria com você.</p>
<p>Mas é você que me faz não ficar. Porque você me solta, e eu sei que sou suscetível nesse jogo de amar.</p>
<p>E talvez você também o seja, e a gente pode ter se perdido por completo agora, sem saber nem quem foi o primeiro. Mas entendendo o porquê.</p>
<p>E depois teremos esse medo de não querer ser o primeiro a falar, ou saber como contar, de que apareceu outra pessoa, que há um outro alguém.</p>
<p>O premeditado,</p>
<p>mas sinceramente?</p>
<p>Jamais inevitável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por: Isadora Mello, 30 de abril de 2019</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
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		<title>Segundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2019 17:40:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Vou falar por aqui sem assumir certeza nenhuma. Sem pretensão em estar certa ou me disfarçar como pessoa experiente que sabe do que fala. Hoje, não apenas admito minha ignorância, como ainda ouso dizer, tudo o que tentarei dizer aqui com alguma afirmação é algo que eu quero afirmar para mim mesma. Autocomprovação. Profecias Autorrealizatórias. Queria decifrar o que sinto. Porque sou intuitiva. Mas sobre você não sei. Eu não faço ideia. E quer saber de algo? Tá bom assim. Eu quero assim. Por e para você. Eu não quero saber. Um lado meu tinha certeza que você não sumiria. Mas eu precisava pensar que assim o fosse para eu não me desapontar, e para até acontecer o contrário. Me convenci de que se ficasse pensando que era o fim, você voltaria mais depressa. Também quis manipular o julgamento dos meus amigos. Se eu demonstrasse minha vulnerabilidade e ao mesmo tempo, esperasse o pior, todos estariam tão prontos quanto eu. O sofrimento do inesperado dói mais. Eu me recuso a ser pega de surpresa nesse aspecto. Prefiro sofrer de antecedência, me expor, me diminuir, me acostumar em esperar o pior.  Não ser vista como coitadinha. Mas porque também, meio que faz parecer que qualquer coisa que vier é lucro. É sucesso. Descrevendo minha estratégia vejo quão deficiente e perigosa ela é. Fazer a média por baixo. Diminuir. Puxar todo mundo para baixo comigo. Coitados dos meus amigos. Querendo então mediar por meio da catástrofe. Não creio que a gente vá se ver depois de hoje. Eu sinto que a gente não vai saber conversar, fazer isso caminhar de forma saudável. Eu quero. Mas eu não quero a parte de esperar, de sofrer por antecedência. Eu não quero os surtos, os ciúmes, essa vontade de ser importante. Isso de ser prioridade. Isso porque também tive uma prévia, e bem, eu não tô pronta. Não tô pronta ainda. Me preocupar com você se tornou algo tão grandioso em apenas um único dia. Que você me fez cair em descaso com a pessoa que eu julgava amar. Que você me fez esquecer quem diariamente e continuamente estava comigo. Que eu tive hoje a oportunidade de ver alguém, que sempre julguei ter o interesse de ir atrás, ver, conversar, fazer ele me ver. Mas eu escolhi não ir, eu escolhi não me mostrar. Você entende? Você já virou prioridade, já virou meu risco, minha fraqueza. Você já vem nesse pacote completo de que eu nunca consigo ter o que eu quero. E hoje, e pelos próximos dias. Eu quero você. &#160; Por: Isadora Mello, 30 de Abril de 2019 Créditos da Imagem: Weheartit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vou falar por aqui sem assumir certeza nenhuma. Sem pretensão em estar certa ou me disfarçar como pessoa experiente que sabe do que fala. Hoje, não apenas admito minha ignorância, como ainda ouso dizer, tudo o que tentarei dizer aqui com alguma afirmação é algo que eu quero afirmar para mim mesma.</p>
<p>Autocomprovação. Profecias Autorrealizatórias.</p>
<p>Queria decifrar o que sinto. Porque sou intuitiva. Mas sobre você não sei. Eu não faço ideia. E quer saber de algo? Tá bom assim. Eu quero assim. Por e para você. Eu não quero saber.</p>
<p>Um lado meu tinha certeza que você não sumiria. Mas eu precisava pensar que assim o fosse para eu não me desapontar, e para até acontecer o contrário. Me convenci de que se ficasse pensando que era o fim, você voltaria mais depressa. Também quis manipular o julgamento dos meus amigos. Se eu demonstrasse minha vulnerabilidade e ao mesmo tempo, esperasse o pior, todos estariam tão prontos quanto eu. O sofrimento do inesperado dói mais. Eu me recuso a ser pega de surpresa nesse aspecto. Prefiro sofrer de antecedência, me expor, me diminuir, me acostumar em esperar o pior.  Não ser vista como coitadinha.</p>
<p>Mas porque também, meio que faz parecer que qualquer coisa que vier é lucro. É sucesso.</p>
<p>Descrevendo minha estratégia vejo quão deficiente e perigosa ela é. Fazer a média por baixo. Diminuir. Puxar todo mundo para baixo comigo. Coitados dos meus amigos.</p>
<p>Querendo então mediar por meio da catástrofe. Não creio que a gente vá se ver depois de hoje. Eu sinto que a gente não vai saber conversar, fazer isso caminhar de forma saudável. Eu quero. Mas eu não quero a parte de esperar, de sofrer por antecedência. Eu não quero os surtos, os ciúmes, essa vontade de ser importante. Isso de ser prioridade. Isso porque também tive uma prévia, e bem, eu não tô pronta. Não tô pronta ainda.</p>
<p>Me preocupar com você se tornou algo tão grandioso em apenas um único dia. Que você me fez cair em descaso com a pessoa que eu julgava amar. Que você me fez esquecer quem diariamente e continuamente estava comigo. Que eu tive hoje a oportunidade de ver alguém, que sempre julguei ter o interesse de ir atrás, ver, conversar, fazer ele me ver. Mas eu escolhi não ir, eu escolhi não me mostrar.</p>
<p>Você entende? Você já virou prioridade, já virou meu risco, minha fraqueza.</p>
<p>Você já vem nesse pacote completo de que eu nunca consigo ter o que eu quero.</p>
<p>E hoje, e pelos próximos dias. Eu quero você.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por: Isadora Mello, 30 de Abril de 2019</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
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		<title>Abstrata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Aug 2019 18:29:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu escrevo aqui, porque um dia você vai ser como todos esses outros que desapareceram, até um dia que eu esqueça seu nome, ou como as coisas caminharam para ser do jeito que foram, eu estranho cada detalhe do dia de hoje. Por você ser um estranho. Sinto que poderia estar extremamente muito mais triste do que estou, mas não há dor. Ontem eu me remoía pela culpa que nem existia ainda, e hoje me sinto livre de toda e qualquer falta, não diz respeito a mim, entende? Não tem nada a ver comigo. É isso que eu sinto agora. É muito bom finalmente se sentir livre dessas amarras, como se a vida, com um sorriso no canto do rosto, como a pessoa que ela é, me aconchegasse em seus braços e dissesse que eu estou pronta para encarar tudo o que preciso encarar, e do jeito que devo. Você apareceu para eu valorizar e finalmente entender a efemeridade do próprio existir, eu segui tudo o que eu queria fazer como nunca antes, eu fiz sem pensar. Se você vivesse ao menos uma hora na minha cabeça, você ia entender como esse silêncio, às vezes é bom. Eu precisava fazer o que eu sentia, sem pensar em como fazer, eu precisava liberar meu instinto, eu fui sem remorso, sem contenção, eu não me arrependo. Eu não vou me arrepender. Eu me submeti a isso porque preciso entender a proporção de cada pessoa pela qual eu sofro. Ontem eu falava sobre a escada imaginária das minhas conquistas, sem pensar nos pilares das almas que conheço as quais me apoio nelas, as quais eu derrubo. Eu uso cada pessoa, para esquecer ou remediar a dor passada de alguma outra pessoa. E você também foi essa passagem, esse aprendizado. Esse passar pelo o qual eu precisava passar. Sem ressentimentos. Eu não te culpo, eu não me culpo, a gente foi àquelas linhas únicas com um ponto bem certeiro no meio. Um ponto de fim. No colo em qual me protejo desse seio da vida, sei que peço respostas, sinais, sei que peço desafios, e a vida me entrega, por mais que eu não os compreenda em um primeiro momento, em um primeiro olhar. É preciso abstrair sabe? E ontem, eu fui arte abstrata em você, eu fui uma mistura de vários eus, eu fui um redemoinho das coisas que quero ser, e das coisas que consigo ser. Eu não vou carregar esse fardo, porque hoje me libero aos poucos de tudo, de todos. Eu vejo esses sentimentos, e eu apenas quero escrever sobre eles. Eu quero que existam palavras para o que eu sinto. Eu quero sentir tudo para que as palavras possam existir. Eu quero estar assim, deixando fluir. Talvez você não tenha entendido minhas nuances, talvez você se reconheça em mim, exatamente a partir dos meus medos, ou por todas essas dúvidas que eu também carrego. A gente é parecido nesse aspecto, por isso que a gente se bateu, por isso que a gente se esbarrou, estamos indo para o mesmo lugar, mesmo que não juntos. A sua vida também tá te colocando no desafio que você pediu. E isso considerando que o que você tenha e precise ver, possa ser totalmente diferente do que eu pedi para ver. Mas era preciso que você me visse. E você me viu. Eu ainda não tenho certeza do que pedi, eu não formulei a pergunta, mas mesmo assim, eu tive minha resposta, eu tenho minhas respostas. Até do que não pergunto. Do que não quero perguntar. Em você, em ontem, no hoje, no que eu e você fomos naquele único dia. No que eu inevitavelmente sinta mesmo que em códigos pelos quais nem todos eu decifrei. É aos poucos, é por partes. É por noites e corpos, é por todas as lições que eu tenho que finalmente aprender. Eu escolhi não viver na ignorância, mesmo que isso significasse sofrer com o conhecimento daquilo que às vezes a gente prefere não saber. Sei que errei, sei que poderia ter sido melhor, sei que poderia ter sido diferente, mas eu não mudaria nada. O sentimento de agora é muito vívido para eu trocar ele por qualquer outra felicidade efêmera, eu hoje me contento com a verdade do que aquilo representa, com a resposta que eu desembolsei ouvir. Sinto minhas conexões com ele enfraquecendo, depois de um pico alto de retornos, e você me surgiu como, não posso insistir no erro, não posso insistir no que não me diz respeito. Você me mostra como cada ser é diferente, e como cada passo é encontro e distanciamento, que para pessoas estarem juntas, é questão de uma frequência em sintonia, de escutar uma mesma música, de se guiar por um cheiro. Você me mostrou tudo o que eu não tenho. Certezas, garantias. Tudo o que eu não vou poder ter. Tudo o que eu não preciso ter para ser. E você mostrou, que não dói tanto assim, não ter esses controles, não ter esses poderes, você me mostrou que está tudo bem em não estar sempre bem. Que alguns acontecimentos devem dar errado, exatamente para a gente comemorar pelas vitórias e ficar feliz pela parcela do que é bom do que dá certo. E eu não digo assim que você tenha desaparecido para sempre, e eu não digo que você não possa voltar, porque nada me tira que lá no fundo, você pensa em mim. Você lembra e repassa aquele nosso encontro. Hoje me vejo sozinha, vejo que não há problema em estar sozinha. Que coincidência boa, a sua energia, que bom que eu me mantenho firme aqui, com a tua, com todas as ausências. Eu vejo cada vez melhor tudo o que não me compõe. Eu me desapego, eu me desamarro, eu me liberto. Eu escapo, sabe? Por entre as mãos, por entre os lençóis, por entre as noites. Eu me despeço, eu me dispo, eu me disponho. De ser uma fagulha por uma noite inteira. Por entender não ser sempre desejada, querida, por não precisar ser a melhor ou perfeita. Por não me culpar pelas falhas e fraquezas alheias. Por não depender de como me veem, como me sentem, como me querem, como falam de mim. Eu aprendo isso aos poucos. Aprendo tudo o que eu preciso aprender. Hoje eu vejo que constantemente me engano continuamente de uma dor que não existe, mas que eu faço questão de acreditar que existe. Uma dor que eu torço, forço, engulo. Não há dor. Não há mais nenhuma dor. Eu não espero também. Não espero mais. Porque tudo tem que ser da forma que tem que ser. E nem tudo tem que ser. Isso não muda quem eu sou. Isso não me rebaixa, isso não me enfraquece. Eu sou submetida a todos os desafios que eu posso suportar. Você existiu para eu saber dele, você existiu apenas para esse texto. &#160; Por: Isadora Mello, 26 de Abril de 2019 Créditos da Imagem: Weheartit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu escrevo aqui, porque um dia você vai ser como todos esses outros que desapareceram, até um dia que eu esqueça seu nome, ou como as coisas caminharam para ser do jeito que foram, eu estranho cada detalhe do dia de hoje. Por você ser um estranho.</p>
<p>Sinto que poderia estar extremamente muito mais triste do que estou, mas não há dor.</p>
<p>Ontem eu me remoía pela culpa que nem existia ainda, e hoje me sinto livre de toda e qualquer falta, não diz respeito a mim, entende? Não tem nada a ver comigo. É isso que eu sinto agora.</p>
<p>É muito bom finalmente se sentir livre dessas amarras, como se a vida, com um sorriso no canto do rosto, como a pessoa que ela é, me aconchegasse em seus braços e dissesse que eu estou pronta para encarar tudo o que preciso encarar, e do jeito que devo.</p>
<p>Você apareceu para eu valorizar e finalmente entender a efemeridade do próprio existir, eu segui tudo o que eu queria fazer como nunca antes, eu fiz sem pensar. Se você vivesse ao menos uma hora na minha cabeça, você ia entender como esse silêncio, às vezes é bom.</p>
<p>Eu precisava fazer o que eu sentia, sem pensar em como fazer, eu precisava liberar meu instinto, eu fui sem remorso, sem contenção, eu não me arrependo. Eu não vou me arrepender.</p>
<p>Eu me submeti a isso porque preciso entender a proporção de cada pessoa pela qual eu sofro. Ontem eu falava sobre a escada imaginária das minhas conquistas, sem pensar nos pilares das almas que conheço as quais me apoio nelas, as quais eu derrubo.</p>
<p>Eu uso cada pessoa, para esquecer ou remediar a dor passada de alguma outra pessoa.</p>
<p>E você também foi essa passagem, esse aprendizado. Esse passar pelo o qual eu precisava passar. Sem ressentimentos. Eu não te culpo, eu não me culpo, a gente foi àquelas linhas únicas com um ponto bem certeiro no meio. Um ponto de fim.</p>
<p>No colo em qual me protejo desse seio da vida, sei que peço respostas, sinais, sei que peço desafios, e a vida me entrega, por mais que eu não os compreenda em um primeiro momento, em um primeiro olhar. É preciso abstrair sabe?</p>
<p>E ontem, eu fui arte abstrata em você, eu fui uma mistura de vários eus, eu fui um redemoinho das coisas que quero ser, e das coisas que consigo ser.</p>
<p>Eu não vou carregar esse fardo, porque hoje me libero aos poucos de tudo, de todos.</p>
<p>Eu vejo esses sentimentos, e eu apenas quero escrever sobre eles. Eu quero que existam palavras para o que eu sinto. Eu quero sentir tudo para que as palavras possam existir. Eu quero estar assim, deixando fluir.</p>
<p>Talvez você não tenha entendido minhas nuances, talvez você se reconheça em mim, exatamente a partir dos meus medos, ou por todas essas dúvidas que eu também carrego. A gente é parecido nesse aspecto, por isso que a gente se bateu, por isso que a gente se esbarrou, estamos indo para o mesmo lugar, mesmo que não juntos. A sua vida também tá te colocando no desafio que você pediu. E isso considerando que o que você tenha e precise ver, possa ser totalmente diferente do que eu pedi para ver. Mas era preciso que você me visse. E você me viu.</p>
<p>Eu ainda não tenho certeza do que pedi, eu não formulei a pergunta, mas mesmo assim, eu tive minha resposta, eu tenho minhas respostas. Até do que não pergunto. Do que não quero perguntar. Em você, em ontem, no hoje, no que eu e você fomos naquele único dia. No que eu inevitavelmente sinta mesmo que em códigos pelos quais nem todos eu decifrei. É aos poucos, é por partes. É por noites e corpos, é por todas as lições que eu tenho que finalmente aprender.</p>
<p>Eu escolhi não viver na ignorância, mesmo que isso significasse sofrer com o conhecimento daquilo que às vezes a gente prefere não saber.</p>
<p>Sei que errei, sei que poderia ter sido melhor, sei que poderia ter sido diferente, mas eu não mudaria nada. O sentimento de agora é muito vívido para eu trocar ele por qualquer outra felicidade efêmera, eu hoje me contento com a verdade do que aquilo representa, com a resposta que eu desembolsei ouvir.</p>
<p>Sinto minhas conexões com ele enfraquecendo, depois de um pico alto de retornos, e você me surgiu como, não posso insistir no erro, não posso insistir no que não me diz respeito. Você me mostra como cada ser é diferente, e como cada passo é encontro e distanciamento, que para pessoas estarem juntas, é questão de uma frequência em sintonia, de escutar uma mesma música, de se guiar por um cheiro. Você me mostrou tudo o que eu não tenho. Certezas, garantias. Tudo o que eu não vou poder ter. Tudo o que eu não preciso ter para ser.</p>
<p>E você mostrou, que não dói tanto assim, não ter esses controles, não ter esses poderes, você me mostrou que está tudo bem em não estar sempre bem. Que alguns acontecimentos devem dar errado, exatamente para a gente comemorar pelas vitórias e ficar feliz pela parcela do que é bom do que dá certo. E eu não digo assim que você tenha desaparecido para sempre, e eu não digo que você não possa voltar, porque nada me tira que lá no fundo, você pensa em mim. Você lembra e repassa aquele nosso encontro.</p>
<p>Hoje me vejo sozinha, vejo que não há problema em estar sozinha.</p>
<p>Que coincidência boa, a sua energia, que bom que eu me mantenho firme aqui, com a tua, com todas as ausências. Eu vejo cada vez melhor tudo o que não me compõe. Eu me desapego, eu me desamarro, eu me liberto. Eu escapo, sabe? Por entre as mãos, por entre os lençóis, por entre as noites.</p>
<p>Eu me despeço, eu me dispo, eu me disponho. De ser uma fagulha por uma noite inteira. Por entender não ser sempre desejada, querida, por não precisar ser a melhor ou perfeita. Por não me culpar pelas falhas e fraquezas alheias. Por não depender de como me veem, como me sentem, como me querem, como falam de mim. Eu aprendo isso aos poucos.</p>
<p>Aprendo tudo o que eu preciso aprender.</p>
<p>Hoje eu vejo que constantemente me engano continuamente de uma dor que não existe, mas que eu faço questão de acreditar que existe. Uma dor que eu torço, forço, engulo.</p>
<p>Não há dor. Não há mais nenhuma dor.</p>
<p>Eu não espero também. Não espero mais. Porque tudo tem que ser da forma que tem que ser.</p>
<p>E nem tudo tem que ser.</p>
<p>Isso não muda quem eu sou. Isso não me rebaixa, isso não me enfraquece.</p>
<p>Eu sou submetida a todos os desafios que eu posso suportar.</p>
<p>Você existiu para eu saber dele, você existiu apenas para esse texto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por: Isadora Mello, 26 de Abril de 2019</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
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		<title>Aquarela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Aug 2019 16:58:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu nunca vi a culpa tão forte como eu a vejo agora, eu quero tocar no ombro de todas as pessoas que eu encontrar pelo caminho e pedir desculpas. Eu lamento produzir tantas lágrimas e me afundar na minha própria água. E ser assim, tão maleável, tão inconsistente, tão volátil. Eu lamento viver em um mundo onde exigem que as pessoas sejam fortes, e há pessoas que encaram tragédias tão piores, e eu ser esse pingo. Essa gota, essa lágrima. Eu acho que nunca me senti tão insignificante como hoje me sinto. O que é viver sem o peso de ter que se provar algo para alguém? O que me fez ser e ficar assim? Eu me cultuo nessa necessidade de provar e falar, e me explicar, e no fundo, talvez ninguém tenha pedido, ninguém nem tenha percebido, ninguém tenha ao menos precisado. Eu nunca sou nada para mim, eu sempre sou pelo medo da imagem que quero que as pessoas tenham de mim. Eu queria me sentir segura, eu queria me sentir em paz em um lugar onde eu tivesse minhas certezas, onde eu pudesse ter alguma garantia, sobre qualquer coisa que fosse. Me pergunto se o mundo é assim, para eu ter que aprender com a efemeridade de tudo. Mas eu sinto a segurança por outros olhos, em outros corpos. E por que eu não a tenho em mim? Eu tenho tanto a aprender ainda, a não ter vergonha, ou medo, de mim, medo de ser. Eu preciso aprender a não me importar tanto. Eu tenho que aprender a abstrair. Eu não tenho por onde caminhar, cada degrau do meu caminho é uma elevação que precisa do apoio de outra elevação anterior que não existe, invisível, um nada que se apoia no vácuo, pretensão sobre pretensão, sonho sobre ilusão, obstáculo em cima de obstáculo. E hoje minha maior batalha, é a imagem que eu quero que você construa de mim. Que você não tenha pena de mim, que você não lamente não me amar mais. Que você não me sinta tão dependente de você como eu faço você sentir que seja. Como eu fiz e faço com todas as pessoas que conheço. Como eu apoio meu sofrimento, e o explico, e o sinto, e o culpo em qualquer outra pessoa que não a mim. Não queria ser tão inconstante assim, sempre em cima do muro, sempre em lugar nenhum. Aquela que sente muito, sente muito em e por sentir. Sinto muito. Em voltar quando achei que já estava tudo certo, em insistir quando estava tudo errado, em me contradizer e atuar dispersa e divergente de qualquer coisa que me acomete. De não viver a vida do jeito que ela vem até mim. Só no meio do caminho me lembro de lembrar dele. Fico esperando o momento em que eu possa fazer o mesmo contigo. Te superar. Assim como já o fiz. Por sentimentos mais longos e maiores por outras pessoas. Como eu já devo ter feito tantas vezes com você, mas como insisto em repetir. Eu não deixo você ir, eu te puxo sempre. Eu não aceito mais, ninguém nunca mais ficar. Eu não aceito mais a instabilidade. Eu não quero estar sozinha. Eu não quero ser humilhada. Será que é isso que você pensa de mim? Por que eu me preocupo tanto com o que você pensa de mim? E porque não me atento as coisas que você me diz? Ao que você me faz sentir? &#160; Por: Isadora Mello, 25 de Abril de 2019 Créditos da Imagem: Weheartit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu nunca vi a culpa tão forte como eu a vejo agora, eu quero tocar no ombro de todas as pessoas que eu encontrar pelo caminho e pedir desculpas. Eu lamento produzir tantas lágrimas e me afundar na minha própria água. E ser assim, tão maleável, tão inconsistente, tão volátil. Eu lamento viver em um mundo onde exigem que as pessoas sejam fortes, e há pessoas que encaram tragédias tão piores, e eu ser esse pingo. Essa gota, essa lágrima.</p>
<p>Eu acho que nunca me senti tão insignificante como hoje me sinto. O que é viver sem o peso de ter que se provar algo para alguém? O que me fez ser e ficar assim?</p>
<p>Eu me cultuo nessa necessidade de provar e falar, e me explicar, e no fundo, talvez ninguém tenha pedido, ninguém nem tenha percebido, ninguém tenha ao menos precisado.</p>
<p>Eu nunca sou nada para mim, eu sempre sou pelo medo da imagem que quero que as pessoas tenham de mim.</p>
<p>Eu queria me sentir segura, eu queria me sentir em paz em um lugar onde eu tivesse minhas certezas, onde eu pudesse ter alguma garantia, sobre qualquer coisa que fosse. Me pergunto se o mundo é assim, para eu ter que aprender com a efemeridade de tudo. Mas eu sinto a segurança por outros olhos, em outros corpos. E por que eu não a tenho em mim?</p>
<p>Eu tenho tanto a aprender ainda, a não ter vergonha, ou medo, de mim, medo de ser.</p>
<p>Eu preciso aprender a não me importar tanto. Eu tenho que aprender a abstrair.</p>
<p>Eu não tenho por onde caminhar, cada degrau do meu caminho é uma elevação que precisa do apoio de outra elevação anterior que não existe, invisível, um nada que se apoia no vácuo, pretensão sobre pretensão, sonho sobre ilusão, obstáculo em cima de obstáculo.</p>
<p>E hoje minha maior batalha, é a imagem que eu quero que você construa de mim.</p>
<p>Que você não tenha pena de mim, que você não lamente não me amar mais. Que você não me sinta tão dependente de você como eu faço você sentir que seja. Como eu fiz e faço com todas as pessoas que conheço. Como eu apoio meu sofrimento, e o explico, e o sinto, e o culpo em qualquer outra pessoa que não a mim.</p>
<p>Não queria ser tão inconstante assim, sempre em cima do muro, sempre em lugar nenhum. Aquela que sente muito, sente muito em e por sentir. Sinto muito.</p>
<p>Em voltar quando achei que já estava tudo certo, em insistir quando estava tudo errado, em me contradizer e atuar dispersa e divergente de qualquer coisa que me acomete.</p>
<p>De não viver a vida do jeito que ela vem até mim.</p>
<p>Só no meio do caminho me lembro de lembrar dele. Fico esperando o momento em que eu possa fazer o mesmo contigo. Te superar. Assim como já o fiz. Por sentimentos mais longos e maiores por outras pessoas. Como eu já devo ter feito tantas vezes com você, mas como insisto em repetir. Eu não deixo você ir, eu te puxo sempre. Eu não aceito mais, ninguém nunca mais ficar.</p>
<p>Eu não aceito mais a instabilidade.</p>
<p>Eu não quero estar sozinha. Eu não quero ser humilhada.</p>
<p>Será que é isso que você pensa de mim? Por que eu me preocupo tanto com o que você pensa de mim? E porque não me atento as coisas que você me diz? Ao que você me faz sentir?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por: Isadora Mello, 25 de Abril de 2019</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
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		<title>Controle</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 21:19:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu não queria que você se acostumasse, e nem eu. Mas desde sempre nossos corpos já tentaram manter esse repelir natural. Não havia um dia sequer que eu tocasse em você sem aquela sensação estática de choque. Não havia uma noite sequer que você não trocasse de cama durante a madrugada para que suas últimas horas de sono fosse sozinho, sua forma de já se acostumar com minha ausência. Você às vezes demonstrava seu carinho me pegando com mais força e eu tentava ignorar que às vezes você me machucava. A gente vivia uma pressa entre nós. Tudo era afobado, desesperado. Hoje em dia percebo que agora completamos mais tempo separados do que realmente o quanto ficamos juntos. Sei que quando as coisas são rápidas e intensas demais em um curto período elas tendem a acabar instantâneas na mesma velocidade, se extinguir. Mas eu não enxergo isso na gente, eu não sinto que seja esse nosso destino. Sei que sempre senti como te conhecesse pela vida inteira, mas às vezes me vejo esquecida de algumas coisas, hoje me peguei tentando lembrar se a gente andava de mãos dadas, por que não consigo me lembrar desse detalhe? Não queria que nossa rotina e os dias passando normalmente como se nada tivesse acontecido nos afastasse um do outro, mais do que a distância física. Nos fizesse esquecer, substituir&#8230; Se a vida fosse mais difícil e impossível sem você, e de você por e para mim, a gente faria de tudo para estarmos juntos de novo o quanto antes. Mas a gente parece ser capaz de aguentar e passar por toda e qualquer dor. Ao ponto de um dia não nos querermos mais. É esse o meu medo, não apenas passar a dor, a necessidade, mas passar o próprio sentimento de amor. Eu queria que nosso desespero de não estarmos juntos agora fosse o mesmo desespero que carregávamos quando estávamos juntos. Hoje o tempo é nosso inimigo, o cotidiano e a rotina. Logo eles que haviam sido nossos aliados, nossos motivos, logo esses fatores que nos uniram, são hoje o que nos separam. Vamos adiando e empurrando o amor para os cantos do dia, para o canto dos quartos. A gente se convence e aprende a dizer que não importa de todo. Desde o começo a gente dizia para nós mesmos que não era amor, até o momento que isso fugiu de nosso controle, até o momento que não havia como deixar de ser, ou não ser, que não havia nada que pudéssemos fazer, então nossos apelos viraram segredos de autoconvencimento, repetições em lavagem cerebral. Eu tentava dizer que já havia amado mais antes e que por isso não havia como amar de novo, e você dizia que não havia amado ninguém antes e que por isso conseguia continuar assim. Mas a gente só podia controlar essa parte da fala, e não do verdadeiro sentir. A gente disse muita coisa, nos magoamos, nos ofendemos, tentamos contornar, fugir, nos enganar, tentamos desgostar um do outro enquanto ainda dava tempo. Dizer e repetir que não importava, que não abalaria, tentar manter controle de tudo, e um do outro. E hoje, nos falamos todos os dias, até quando você falou que era melhor pararmos e que não devia ser assim, você me pediu e foi você mesmo que acabou não seguindo o que disse, e eu às vezes queria que parássemos, mas jamais pedi. A gente continua tentando controlar, e manter o controle A gente se amou com uma ‘deadline’ e uma linha de chegada, a gente sabia a data do nosso fim. Eram limites no tempo, mas não do sentimento, do amor em si. A gente não controlava, não contava (e não saberia contar) com isso. &#160; Isadora Mello Brasília, 20.03.2019 Texto: Isadora Mello Imagem: colagem de imagens da internet por Isadora Mello]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não queria que você se acostumasse, e nem eu. Mas desde sempre nossos corpos já tentaram manter esse repelir natural.</p>
<p>Não havia um dia sequer que eu tocasse em você sem aquela sensação estática de choque.</p>
<p>Não havia uma noite sequer que você não trocasse de cama durante a madrugada para que suas últimas horas de sono fosse sozinho, sua forma de já se acostumar com minha ausência.</p>
<p>Você às vezes demonstrava seu carinho me pegando com mais força e eu tentava ignorar que às vezes você me machucava.</p>
<p>A gente vivia uma pressa entre nós. Tudo era afobado, desesperado.</p>
<p>Hoje em dia percebo que agora completamos mais tempo separados do que realmente o quanto ficamos juntos. Sei que quando as coisas são rápidas e intensas demais em um curto período elas tendem a acabar instantâneas na mesma velocidade, se extinguir. Mas eu não enxergo isso na gente, eu não sinto que seja esse nosso destino.</p>
<p>Sei que sempre senti como te conhecesse pela vida inteira, mas às vezes me vejo esquecida de algumas coisas, hoje me peguei tentando lembrar se a gente andava de mãos dadas, por que não consigo me lembrar desse detalhe?</p>
<p>Não queria que nossa rotina e os dias passando normalmente como se nada tivesse acontecido nos afastasse um do outro, mais do que a distância física. Nos fizesse esquecer, substituir&#8230;</p>
<p>Se a vida fosse mais difícil e impossível sem você, e de você por e para mim, a gente faria de tudo para estarmos juntos de novo o quanto antes.</p>
<p>Mas a gente parece ser capaz de aguentar e passar por toda e qualquer dor. Ao ponto de um dia não nos querermos mais. É esse o meu medo, não apenas passar a dor, a necessidade, mas passar o próprio sentimento de amor.</p>
<p>Eu queria que nosso desespero de não estarmos juntos agora fosse o mesmo desespero que carregávamos quando estávamos juntos.</p>
<p>Hoje o tempo é nosso inimigo, o cotidiano e a rotina. Logo eles que haviam sido nossos aliados, nossos motivos, logo esses fatores que nos uniram, são hoje o que nos separam.</p>
<p>Vamos adiando e empurrando o amor para os cantos do dia, para o canto dos quartos. A gente se convence e aprende a dizer que não importa de todo.</p>
<p>Desde o começo a gente dizia para nós mesmos que não era amor, até o momento que isso fugiu de nosso controle, até o momento que não havia como deixar de ser, ou não ser, que não havia nada que pudéssemos fazer, então nossos apelos viraram segredos de autoconvencimento, repetições em lavagem cerebral.</p>
<p>Eu tentava dizer que já havia amado mais antes e que por isso não havia como amar de novo, e você dizia que não havia amado ninguém antes e que por isso conseguia continuar assim.</p>
<p>Mas a gente só podia controlar essa parte da fala, e não do verdadeiro sentir.</p>
<p>A gente disse muita coisa, nos magoamos, nos ofendemos, tentamos contornar, fugir, nos enganar, tentamos desgostar um do outro enquanto ainda dava tempo.</p>
<p>Dizer e repetir que não importava, que não abalaria, tentar manter controle de tudo, e um do outro.</p>
<p>E hoje, nos falamos todos os dias, até quando você falou que era melhor pararmos e que não devia ser assim, você me pediu e foi você mesmo que acabou não seguindo o que disse, e eu às vezes queria que parássemos, mas jamais pedi.</p>
<p>A gente continua tentando controlar, e manter o controle</p>
<p>A gente se amou com uma ‘deadline’ e uma linha de chegada, a gente sabia a data do nosso fim.</p>
<p>Eram limites no tempo, mas não do sentimento, do amor em si.</p>
<p>A gente não controlava, não contava (e não saberia contar) com isso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello</p>
<p>Brasília, 20.03.2019</p>
<p>Texto: Isadora Mello</p>
<p>Imagem: colagem de imagens da internet por Isadora Mello</p>
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		<title>Preven(ido)</title>
		<link>https://psiqueros.com/prevenido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Jun 2019 20:42:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Hoje em dia eu sumo antes. E que você me perdoe, e que você me entenda. Mas qualquer silêncio já me aterroriza,  e eu não quero mais passar pelo que eu já passei. E nada me atinge mais na mesma frequência e intensidade mesmo. Eu não quero estar aqui, quando isso acontecer, de novo. Eu já vou ter ido antes. Me preven(ido). Não sei se foi um poder novo que adquiri para me proteger, modo de defesa, ou a própria armadura que adquiri, que foge do meu controle, consequência dos traumas. Talvez você não merecesse isso, mas eu tento, e no mais sútil dos sinais, eu vou-me antes, e no mais leve indício, eu já terei ido. Porque depois sou que que fico me remoendo pensando em mil razões para você estar se afastando, eu que fico pensando nas desculpas que você não deu, nos motivos que você não disse, arranjando e arrumando justificativas para e por você, fundamentos para você ter mudado. A palavra “mudado” bem que devia ter algo a ver com mudez também. Quantos silêncios já me foram os primeiros passos e as primeiras pistas de quem anunciava ir. Anunciava sem voz, mudo, mudado. Mudar a ponto de querer que o outro não queira mais, pelo, para o outro. Fazer o outro ir embora porque você mesmo é aquele que não tem coragem de dar o primeiro passo. Eu luto por alguém que me dê sempre razões para ficar, eu admiro aqueles bravos o suficientes que nada escondem, que não se encobrem em indiretas. Que não mudam e não emudecem. Depois sou eu que tenho que conviver com meus demônios, repassar mais de mil vezes variações de cada ato e fala meus, procurar meus erros, quando talvez nem tenham havido erros, me perguntar onde errei, onde eu te perdi. Me faz criar pessoas que você teria conhecido e pensar em suas personalidades fantásticas que as fizeram ser melhores do que eu. Nunca me supreendo de ser tão fácil, de não ser necessário quase nada para até essas pessoas talvez inexistentes, ou que você nem chegou a conhecer, serem melhores do que eu. Sofro da ansiedade de eperar você voltar sem você ainda nem ter ido. Quanto tempo você vai demorar? Você vai sequer voltar? O que vai te fazer voltar? E se eu não estiver pronta para te ter de volta? E se já for tarde demais? Me pesa o medo da humilhação. Fico desapontada com minha performance, com meu desempenho. Vejo todas essas pessoas partidas, todas essas pessoas partindo. Esses que partiram levaram embora uma parte de minhas certezas, garantias e seguranças. Me deixaram com minhas e mais dúvidas e remorsos. Vou embora antes e primeiro, mesmo quando não quero. Porque parecer que sou a que mais quero, e parecer que ocorreu o que não quero, é como perder todas as forças. É horrível entrar nesse jogo justamente com você. Quem vai primeiro, quem volta antes, quem abre exceção, quem faz a entrega. Quem se vai só porque o outro se foi. Quem finge e simula só pelas atitudes do outro e pelo orgulho. Eu sempre fui a que sempre mais senti. E hoje sempre sinto, simplesmente, a necessidade de partir primeiro. &#160; Isadora Mello Brasília, 20.03.2019 Créditos da Imagem: Weheartit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje em dia eu sumo antes. E que você me perdoe, e que você me entenda. Mas qualquer silêncio já me aterroriza,  e eu não quero mais passar pelo que eu já passei. E nada me atinge mais na mesma frequência e intensidade mesmo.</p>
<p>Eu não quero estar aqui, quando isso acontecer, de novo. Eu já vou ter ido antes. Me preven(ido).</p>
<p>Não sei se foi um poder novo que adquiri para me proteger, modo de defesa, ou a própria armadura que adquiri, que foge do meu controle, consequência dos traumas. Talvez você não merecesse isso, mas eu tento, e no mais sútil dos sinais, eu vou-me antes, e no mais leve indício, eu já terei ido.</p>
<p>Porque depois sou que que fico me remoendo pensando em mil razões para você estar se afastando, eu que fico pensando nas desculpas que você não deu, nos motivos que você não disse, arranjando e arrumando justificativas para e por você, fundamentos para você ter mudado.</p>
<p>A palavra “mudado” bem que devia ter algo a ver com mudez também.</p>
<p>Quantos silêncios já me foram os primeiros passos e as primeiras pistas de quem anunciava ir. Anunciava sem voz, mudo, mudado.</p>
<p>Mudar a ponto de querer que o outro não queira mais, pelo, para o outro.</p>
<p>Fazer o outro ir embora porque você mesmo é aquele que não tem coragem de dar o primeiro passo.</p>
<p>Eu luto por alguém que me dê sempre razões para ficar, eu admiro aqueles bravos o suficientes que nada escondem, que não se encobrem em indiretas.</p>
<p>Que não mudam e não emudecem.</p>
<p>Depois sou eu que tenho que conviver com meus demônios, repassar mais de mil vezes variações de cada ato e fala meus, procurar meus erros, quando talvez nem tenham havido erros, me perguntar onde errei, onde eu te perdi. Me faz criar pessoas que você teria conhecido e pensar em suas personalidades fantásticas que as fizeram ser melhores do que eu. Nunca me supreendo de ser tão fácil, de não ser necessário quase nada para até essas pessoas talvez inexistentes, ou que você nem chegou a conhecer, serem melhores do que eu.</p>
<p>Sofro da ansiedade de eperar você voltar sem você ainda nem ter ido. Quanto tempo você vai demorar? Você vai sequer voltar? O que vai te fazer voltar?</p>
<p>E se eu não estiver pronta para te ter de volta? E se já for tarde demais?</p>
<p>Me pesa o medo da humilhação. Fico desapontada com minha performance, com meu desempenho.</p>
<p>Vejo todas essas pessoas partidas, todas essas pessoas partindo. Esses que partiram levaram embora uma parte de minhas certezas, garantias e seguranças. Me deixaram com minhas e mais dúvidas e remorsos.</p>
<p>Vou embora antes e primeiro, mesmo quando não quero. Porque parecer que sou a que mais quero, e parecer que ocorreu o que não quero, é como perder todas as forças.</p>
<p>É horrível entrar nesse jogo justamente com você. Quem vai primeiro, quem volta antes, quem abre exceção, quem faz a entrega.</p>
<p>Quem se vai só porque o outro se foi. Quem finge e simula só pelas atitudes do outro e pelo orgulho.</p>
<p>Eu sempre fui a que sempre mais senti.</p>
<p>E hoje sempre sinto, simplesmente, a necessidade de partir primeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello</p>
<p>Brasília, 20.03.2019</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
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		<title>Vontades sem som</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jun 2019 20:21:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez você me entenda como ninguém o tenha feito antes, talvez você seja apenas igual a todos os outros, todos os mesmos, em uma variação bem pequena. Talvez eu seja sempre a mesma também, com tanta vontade de falar e de escrever, mas sempre me guardando, me guardando de mim, em mim. Cheia de vontades sem som, para dentro, com medo, da voz dos outros, de seus dedos, de suas bocas, até de seus próprios pensamentos. Pensando no que eles vão pensar. Minhas vozes, minhas pessoas e histórias em turbilhão na minha mente, perante minha mão, nunca rápida o suficiente, sempre a solidão e o silêncio, e a tristeza da decepção. E o tempo que corre, e a falta de tempo. E tanto ainda o que se fazer, como fazer. Não há tempo. Vontades, sonhos, desejos, sonhos da hora de dormir. Eu vi naquelas inscrições das pulseiras o significado do espiral. Voltar e dar voltas, voltar sempre ao mesmo lugar, mas ao mesmo tempo, como melhor versão de si mesma. E melhorar naqueles aspectos, aprender por aqueles erros, aprender pelo distanciamento, pelo movimento, pelo ir e pelo voltar, pelas perspectivas, pelo rodar, pelos ciclos. E teve também o relato sobre o quarto das orquídeas, você não ser mais capaz de distinguir os aromas do lugar porque já faz parte de quem você é, e você já faz parte do lugar. Desse lugar. E eu escutei, sobre meu sorriso, sobre ser boa ouvinte, sobre ser feminina, sobre ser, especial. Eu escutei, sobre ser livre, sobre expressar, aparentar e irradiar, isso de ser livre, isso de ser feliz. E eu fui, e eu ouvi, e eu mostrei, e eu sei quem eu sou. Eu amo quem eu sou. Mesmo com todos os meus vícios, mesmo com todos meu erros, eu só preciso me encontrar e me reencontrar, e me deixar exibida, exposta por ai, fazer minha voz propagar, minhas histórias serem escritas. Viajar. &#160; Isadora Mello, 7 de fevereiro de 2019 Créditos da Imagem: Weheartit Ilustrações: Isadora Mello &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez você me entenda como ninguém o tenha feito antes, talvez você seja apenas igual a todos os outros, todos os mesmos, em uma variação bem pequena.</p>
<p>Talvez eu seja sempre a mesma também, com tanta vontade de falar e de escrever, mas sempre me guardando, me guardando de mim, em mim.</p>
<p>Cheia de vontades sem som, para dentro, com medo, da voz dos outros, de seus dedos, de suas bocas, até de seus próprios pensamentos.</p>
<p>Pensando no que eles vão pensar.</p>
<p>Minhas vozes, minhas pessoas e histórias em turbilhão na minha mente, perante minha mão, nunca rápida o suficiente, sempre a solidão e o silêncio, e a tristeza da decepção.</p>
<p>E o tempo que corre, e a falta de tempo.</p>
<p>E tanto ainda o que se fazer, como fazer.</p>
<p>Não há tempo.</p>
<p>Vontades, sonhos, desejos, sonhos da hora de dormir.</p>
<p>Eu vi naquelas inscrições das pulseiras o significado do espiral. Voltar e dar voltas, voltar sempre ao mesmo lugar, mas ao mesmo tempo, como melhor versão de si mesma. E melhorar naqueles aspectos, aprender por aqueles erros, aprender pelo distanciamento, pelo movimento, pelo ir e pelo voltar, pelas perspectivas, pelo rodar, pelos ciclos.</p>
<p>E teve também o relato sobre o quarto das orquídeas, você não ser mais capaz de distinguir os aromas do lugar porque já faz parte de quem você é, e você já faz parte do lugar. Desse lugar.</p>
<p>E eu escutei, sobre meu sorriso, sobre ser boa ouvinte, sobre ser feminina, sobre ser, especial.</p>
<p>Eu escutei, sobre ser livre, sobre expressar, aparentar e irradiar, isso de ser livre, isso de ser feliz.</p>
<p>E eu fui, e eu ouvi, e eu mostrei, e eu sei quem eu sou.</p>
<p>Eu amo quem eu sou. Mesmo com todos os meus vícios, mesmo com todos meu erros, eu só preciso me encontrar e me reencontrar, e me deixar exibida, exposta por ai, fazer minha voz propagar, minhas histórias serem escritas. Viajar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello, 7 de fevereiro de 2019</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
<p>Ilustrações: Isadora Mello</p>
<p>&nbsp;</p>
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