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	<title>2012 &#8211; Psiqueros</title>
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	<title>2012 &#8211; Psiqueros</title>
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		<title>Efeito Colateral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2019 19:44:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez a melhor comparação seja com a janela. E eu estou bem em ver a vida por ali, no instante que ainda exista, posso passar a julgar minha vida pelo o que vi, apreciar. Minha próxima meta é mais que ver, viver, mas apenas enquanto a dose mínima de ilusão ainda me viciar, satisfazer, e for a única alcançável. Talvez eu viva quando as porções não forem mais suficientes e eu precisar de incentivos mais fortes que vistas de janela. Quando escrevo, tenha a ideia errada de que as palavras vão se tornar reais, instantaneamente. Se pensamentos saíram de minha mente e por meio de lápis e canetas marcam-se ao papel, registros podem seguir trilha inversa, e instalarem-se na mente, marcas diferentes não feitas de lápis ou caneta. Existe uma força na escrita, quando pergunto-me porque escrevo costumo perceber que coloco em torno da minha vida sentimentos que apenas registrei, como? Se paro para avaliar minhas conquistas, conto com o simples fato daquelas que escrevi. Planos passam a ser mais reais. Eu escrevo quem sou e meu futuro, quando dou por mim estou dirigindo inebriada pelo meio das escritas. Aumentando a dose e me saciando, me iludindo na concepção de que aquilo aconteceu. O golpe não é proposital, e seria um bom artifício caso enganasse também aos outros. Digo, um indutor de felicidade, nada aconteceu, mas a relação com a escrita faz pensar que tudo passou. Eu poderia vender felicidade, se valesse aos outros como vale para mim. Minha vida será sempre ilusão, daquelas que são bem concretas e com fundamentos, depois de um tempo elas perdem o efeito e me vejo incompleta, mas basta reler para a dosagem recomeçar ou recriar. Meu otimismo estúpido diz que afinal há ainda tempo de realizar e espero o dia que não passarão de somente planos. É como se em uma realidade paralela existisse a mim e minhas expectativas e eu as completando. Quando na verdade só estou contemplando. Qualquer pedaço de papel a entrada, uma porta de conexão a qual eu pudesse ao menos observar. &#160; Isadora Mello, 2012 Créditos da Imagem: Weheartit Ilustrações: Isadora Mello]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez a melhor comparação seja com a janela. E eu estou bem em ver a vida por ali, no instante que ainda exista, posso passar a julgar minha vida pelo o que vi, apreciar.</p>
<p>Minha próxima meta é mais que ver, viver, mas apenas enquanto a dose mínima de ilusão ainda me viciar, satisfazer, e for a única alcançável.</p>
<p>Talvez eu viva quando as porções não forem mais suficientes e eu precisar de incentivos mais fortes que vistas de janela.</p>
<p>Quando escrevo, tenha a ideia errada de que as palavras vão se tornar reais, instantaneamente. Se pensamentos saíram de minha mente e por meio de lápis e canetas marcam-se ao papel, registros podem seguir trilha inversa, e instalarem-se na mente, marcas diferentes não feitas de lápis ou caneta.</p>
<p>Existe uma força na escrita, quando pergunto-me porque escrevo costumo perceber que coloco em torno da minha vida sentimentos que apenas registrei, como? Se paro para avaliar minhas conquistas, conto com o simples fato daquelas que escrevi. Planos passam a ser mais reais.</p>
<p>Eu escrevo quem sou e meu futuro, quando dou por mim estou dirigindo inebriada pelo meio das escritas. Aumentando a dose e me saciando, me iludindo na concepção de que aquilo aconteceu. O golpe não é proposital, e seria um bom artifício caso enganasse também aos outros. Digo, um indutor de felicidade, nada aconteceu, mas a relação com a escrita faz pensar que tudo passou. Eu poderia vender felicidade, se valesse aos outros como vale para mim.</p>
<p>Minha vida será sempre ilusão, daquelas que são bem concretas e com fundamentos, depois de um tempo elas perdem o efeito e me vejo incompleta, mas basta reler para a dosagem recomeçar ou recriar. Meu otimismo estúpido diz que afinal há ainda tempo de realizar e espero o dia que não passarão de somente planos.</p>
<p>É como se em uma realidade paralela existisse a mim e minhas expectativas e eu as completando.</p>
<p>Quando na verdade só estou contemplando.</p>
<p>Qualquer pedaço de papel a entrada, uma porta de conexão a qual eu pudesse ao menos observar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello, 2012</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
<p>Ilustrações: Isadora Mello</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-488 aligncenter" src="https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/04/efeito-colateral-225x300.jpg" alt="" width="454" height="606" srcset="https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/04/efeito-colateral-225x300.jpg 225w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/04/efeito-colateral.jpg 721w" sizes="(max-width: 454px) 100vw, 454px" /></p>
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		<title>Emergente</title>
		<link>https://psiqueros.com/emergente/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Mar 2019 21:31:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Duas lágrimas, eu contei, não caíram unidas, uma diferença de poucos segundos, estranhei o choro seco, o amor estava doendo e me consumindo, não havia nada mais que eu pudesse pensar, mal comi e tinha o olhar vago, escrevia ou planejava o que escrever, prevendo a ordem da escrita antes da folha. Mas só duas lágrimas, para algo que não me trazia sossego, aquilo pelo o que eu fugi nos dois escapes do final de semana. Então eu entendi que a fuga era maior, eu não corri de sofrer de amor, mas o amor era a própria saída para escapar da saudade, ter alguém em quem pensar e esperar em cada esquina, alguém para virar bruscamente no indício de barulho (me distrar, confiar meu coração em alguém que possa amar em retorno, ter algo para se preocupar, cuidar, se resguardar nas novelas impossíveis dos amores quase proibidos) é a distancia, é o tempo, é a dúvida. Eu tenho que parar de procurar saídas de emergência, elas são as mais rápidas, mas também as mais escuras (e solitárias) (e longas) (e vazias). &#160; Isadora Mello (2012) Créditos da Imagem: Weheartit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Duas lágrimas,</p>
<p>eu contei,</p>
<p>não caíram unidas, uma diferença de poucos segundos,</p>
<p>estranhei o choro seco,</p>
<p>o amor estava doendo e me consumindo,</p>
<p>não havia nada mais que eu pudesse pensar,</p>
<p>mal comi e tinha o olhar vago, escrevia ou planejava o que escrever, prevendo a ordem da escrita antes da folha.</p>
<p>Mas só duas lágrimas,</p>
<p>para algo que não me trazia sossego, aquilo pelo o que eu fugi nos dois escapes do final de semana.</p>
<p>Então eu entendi que a fuga era maior,</p>
<p>eu não corri de sofrer de amor,</p>
<p>mas o amor era a própria saída para escapar da saudade,</p>
<p>ter alguém em quem pensar e esperar em cada esquina, alguém para virar bruscamente no indício de barulho</p>
<p>(me distrar, confiar meu coração em alguém que possa amar em retorno, ter algo para se preocupar, cuidar, se resguardar nas novelas impossíveis dos amores quase proibidos)</p>
<p>é a distancia, é o tempo, é a dúvida.</p>
<p>Eu tenho que parar de procurar saídas de emergência,</p>
<p>elas são as mais rápidas,</p>
<p>mas também as mais escuras</p>
<p>(e solitárias)</p>
<p>(e longas)</p>
<p>(e vazias).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello (2012)</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Vô(ntade)</title>
		<link>https://psiqueros.com/vontade/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Jan 2019 21:31:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu nunca te vi bem, de andar rápido, de correr, caminhar com a elegância que todo mundo te descreve.  Não te vi alto, esbelto, forte, charmoso, como nas fotografias. Mal te vi sorrir, de dobrar o nariz e amassar o canto dos olhos, de aparecer as covinhas da sua bochecha, é&#8230; Nunca as vi. Enterradas na sua barba agora branca, nunca a tinha visto desalinhada, mas agora não tem mais ninguém para arrumá-la, não tem mais você para fazer o corte certo.  Você nunca me escutou sem que eu tivesse que repetir, e nunca respondeu sem a voz estar rouca – aliás não sei se é algo natural seu ou você foi adquirindo essa rouquidão com o tempo.  Eu queria tanto te ver gargalhar, um farfalho de folhas vindo serenos do fundo de seu diafragma. Quero te ver jovem como nas fotos, em preto e branco, não me importo, queria tocar no seu cabelo e ver se é tão macio assim como sempre pareceu, e te ver, nem que rapidinho sem barba – só para ter uma ideia.   Queria que você beijasse minha testa, me levasse ao cinema, me colocasse para dormir, tomasse sorvete no parque. Queria-te ver cantando ou tocando violão, você tem cara de quem sabe fazer isso, ou de alguém que saberia&#8230;  Dançar com você, andar de moto, que você desenhasse comigo como fez há muito tempo atrás – não acredito que só tivemos esse momento uma única vez. Queria que você direcionasse aquelas perguntas filosóficas para mim e começássemos a criar resoluções e reflexões sobre a vida. Lembro-me muito bem de você discutindo os movimentos involuntários de um passarinho dentro de um ovo – totalmente contrário ao que acabara de ler sobre o assunto, você tirou suas próprias conclusões, mas só eu e outros poucos te ouviram enquanto o tal gênio desfilava suas teses, você nos apresentava outros tantos argumentos para arrematar, mas você nem sabia que eu ouvi, ou que eu concordei, ou que eu me lembro, ou que podia discutir esse tipo de coisa comigo. Queria que você lesse o que eu escrevo e que deixasse para lá elogios e só fizesse as críticas, queria escrever com você, você me contando a resenha do seu futuro livro e nós dois escrevendo cada um por si, mas juntos, um do lado do outro na mesa da sala de jantar. Eu queria até que você brigasse comigo mais uma vez. Devo ter pirado.  Você sempre guardou o melhor para depois, para ser único e memorável, para você ser inesquecível – mesmo que atingindo essa conquista por ações negativas, ainda marca, principalmente sabendo que ignorando as grosserias de como você pedia e fazia e percebendo o crescimento ao seguir o que você ensinava, as duras causas são o que pagamos para as valiosas consequências que você proporcionou. Você será lembrando como rei, como exemplo, como o que todos deveriam ser ou ter um pouco &#8211; há muito de você em uma discussão e ao entender os comportamentos humanos, há muito de você em uma boa comida ou em um ótimo ponto de vista. Você marcou com seus poucos sorrisos e poucos olhares, e por terem sido poucos – e consequentemente verdadeiros – valem tão mais.   É incrível pensar que a primeira vez que realmente te toquei foi quando você estava naquele estado, eu ficaria tanto tempo fora que passou pela minha cabeça que talvez aquele fosse o último contato. Que engraçado, o primeiro e o último&#8230; Eu quase hesitei porque tocá-lo com esse pensamento seria algo como afirmar que era o fim. Mas não queria ressentimentos, saber que tive a chance e simplesmente joguei fora. Sua mão era macia, e eu jamais vou me esquecer disso.   Eu queria ter te tocado mais vezes, de esticar a mão, se cumprimentar e se conhecer, sem toda aquela pressão de agradar e não irritar o vovô, queria saber se você ia gostar de mim, mesmo se eu não fosse sua neta. Queria que você me amasse, mas eu teria que te dar razões para isso (e mais que desejar!), me perdoe por não ter o que te dar e estar pedindo tanto.  Eu não queria que seu espírito e corpo tivessem envelhecido tão rápido sem eu ter tido a oportunidade de te conhecer novo como naquelas velhas fotos. Queria ter mais tempo ao mesmo tanto que não queria que o tempo se movimentasse, e que esse você fosse exatamente como era, da forma que tanto me falaram, da forma que eu queria tanto conhecer. Meus pedidos não são impossíveis, eles são você, você de volta&#8230;  Você, sempre esperto, fez dos poucos momentos os mais ricos, são eles que ficam na memória&#8230; Mas eles também deixaram um monte de vontades, vontades de mais, vontade de você, vontade de você de verdade. &#160; Isadora Mello, 2012 Créditos da Imagem: Acervo da minha família]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu nunca te vi bem, de andar rápido, de correr, caminhar com a elegância que todo mundo te descreve.<span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p>Não te vi alto, esbelto, forte, charmoso, como nas fotografias. Mal te vi sorrir, de dobrar o nariz e amassar o canto dos olhos, de aparecer as covinhas da sua bochecha, é&#8230; Nunca as vi. Enterradas na sua barba agora branca, nunca a tinha visto desalinhada, mas agora não tem mais ninguém para arrumá-la, não tem mais você para fazer o corte certo.<span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p>Você nunca me escutou sem que eu tivesse que repetir, e nunca respondeu sem a voz estar rouca – aliás não sei se é algo natural seu ou você foi adquirindo essa rouquidão com o tempo.<span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p>Eu queria tanto te ver gargalhar, um farfalho de folhas vindo serenos do fundo de seu diafragma. Quero te ver jovem como nas fotos, em preto e branco, não me importo, queria tocar no seu cabelo e ver se é tão macio assim como sempre pareceu, e te ver, nem que rapidinho sem barba – só para ter uma ideia. <span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p>Queria que você beijasse minha testa, me levasse ao cinema, me colocasse para dormir, tomasse sorvete no parque. Queria-te ver cantando ou tocando violão, você tem cara de quem sabe fazer isso, ou de alguém que saberia&#8230;<span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p>Dançar com você, andar de moto, que você desenhasse comigo como fez há muito tempo atrás – não acredito que só tivemos esse momento uma única vez.</p>
<p>Queria que você direcionasse aquelas perguntas filosóficas para mim e começássemos a criar resoluções e reflexões sobre a vida. Lembro-me muito bem de você discutindo os movimentos involuntários de um passarinho dentro de um ovo – totalmente contrário ao que acabara de ler sobre o assunto, você tirou suas próprias conclusões, mas só eu e outros poucos te ouviram enquanto o tal gênio desfilava suas teses, você nos apresentava outros tantos argumentos para arrematar, mas você nem sabia que eu ouvi, ou que eu concordei, ou que eu me lembro, ou que podia discutir esse tipo de coisa comigo.</p>
<p>Queria que você lesse o que eu escrevo e que deixasse para lá elogios e só fizesse as críticas, queria escrever com você, você me contando a resenha do seu futuro livro e nós dois escrevendo cada um por si, mas juntos, um do lado do outro na mesa da sala de jantar. Eu queria até que você brigasse comigo mais uma vez. Devo ter pirado.<span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p>Você sempre guardou o melhor para depois, para ser único e memorável, para você ser inesquecível – mesmo que atingindo essa conquista por ações negativas, ainda marca, principalmente sabendo que ignorando as grosserias de como você pedia e fazia e percebendo o crescimento ao seguir o que você ensinava, as duras causas são o que pagamos para as valiosas consequências que você proporcionou.</p>
<p>Você será lembrando como rei, como exemplo, como o que todos deveriam ser ou ter um pouco &#8211; há muito de você em uma discussão e ao entender os comportamentos humanos, há muito de você em uma boa comida ou em um ótimo ponto de vista.</p>
<p>Você marcou com seus poucos sorrisos e poucos olhares, e por terem sido poucos – e consequentemente verdadeiros – valem tão mais. <span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p>É incrível pensar que a primeira vez que realmente te toquei foi quando você estava naquele estado, eu ficaria tanto tempo fora que passou pela minha cabeça que talvez aquele fosse o último contato. Que engraçado, o primeiro e o último&#8230; Eu quase hesitei porque tocá-lo com esse pensamento seria algo como afirmar que era o fim.</p>
<p>Mas não queria ressentimentos, saber que tive a chance e simplesmente joguei fora. Sua mão era macia, e eu jamais vou me esquecer disso. <span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
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<p>Eu não queria que seu espírito e corpo tivessem envelhecido tão rápido sem eu ter tido a oportunidade de te conhecer novo como naquelas velhas fotos.</p>
<p>Queria ter mais tempo ao mesmo tanto que não queria que o tempo se movimentasse, e que esse você fosse exatamente como era, da forma que tanto me falaram, da forma que eu queria tanto conhecer. Meus pedidos não são impossíveis, eles são você, você de volta&#8230;<span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p>Você, sempre esperto, fez dos poucos momentos os mais ricos, são eles que ficam na memória&#8230;</p>
<p>Mas eles também deixaram um monte de vontades, vontades de mais, vontade de você, vontade de você de verdade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello, 2012</p>
<p>Créditos da Imagem: Acervo da minha família</p>
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		<item>
		<title>Sombra</title>
		<link>https://psiqueros.com/93/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Dec 2018 19:44:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Aqui é você inteiro, e meus escritos sou eu, mas quando eu escrevo sobre você, eu não sei quem eu sou. Eu conheci esse lugar antes de você, não antes de você conhecer, mas antes de eu conhecer você, na verdade, eu bem que havia te conhecido antes, mas não o você de verdade por aquele que eu gostei, mesmo assim, eu conheci esse lugar sem sua presença, e agora eu o associo a você, ele nunca foi você, mas agora simplesmente é &#160; Quando paro para lembrar do nosso encontro ontem muitas coisas soam confusas, e eu deveria parar de remoer e procurar sinais ou explicações, ao mesmo tempo, me orgulho em escrever e a me refugiar nos meus registros, mesmo quando não passam de  palavras de ilusão e sonhos &#160; Havia mais alguém ontem além de nós dois, uma sombra que me recordo só agora, eu a sentia mas estava muito distraída para perceber o quão estranho ela era. Dei um nome aquela sombra, &#8220;Expectativa&#8221;, era o que podia ser naquela hora, e o que podia ser&#8230; agora. &#160; Ainda pode ser, não é? &#160; Aquelas crianças continuam ali com seus cachorros agitados mas nós dois não estamos lá. E não sei quando estaremos de novo. &#160; Uma, duas bicicletas passam por trás de mim e eu viro bruscamente para ver se é você, eu pareço uma idiota. E o mais impossível – e de consequência o que também imagino, quando escuto passos eu espero ver nós dois. Eu estou com a sombra da expectativa, eu descubro que eu mesma a sou. &#160; Sinto que você está por aqui na ironia do outro lado, ou simplesmente queria que estivesse, e mais, que estivesse também pensando em mim Escutando música e associando como eu estou fazendo, pensando, esperando, assim como eu &#160; É o mesmo horário do outro dia, mas com você não parecia tão escuro, com aspecto tão tarde. Daqui a pouco eu preciso voltar, sozinha, até com você eu sou sozinha. &#160; Será que ainda dá tempo de você vir até aqui, perguntar o que eu estou fazendo: até quando eu posso esperar, você pode vir, pode nunca chegar, pode aparecer exatamente quando eu não estiver. Eu fico aqui me preparando para todo e qualquer diálogo, em mil variações possíveis &#160; Todos os garotos são você até o olhar mais cético e o mais próximo. &#160; Com a música de trilha sonora, vejo seu rosto sorrindo, penso em como combina com o filme da minha vida, com o que eu ando escrevendo, construindo&#8230; com as esperanças&#8230; não era para eu ter alimentado o que poderia ser antes do dia de ontem e o que pode vir a ser a partir de hoje, não era para eu estar fazendo nenhuma dessas coisas. &#160; Eu tenho que parar de esperar. &#160; Isadora Mello, 2012 Créditos da Imagem: Google]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui é você inteiro, e meus escritos sou eu, mas quando eu escrevo sobre você, eu não sei quem eu sou.</p>
<p>Eu conheci esse lugar antes de você, não antes de você conhecer, mas antes de eu conhecer você, na verdade, eu bem que havia te conhecido antes, mas não o você de verdade por aquele que eu gostei, mesmo assim, eu conheci esse lugar sem sua presença, e agora eu o associo a você,</p>
<p>ele nunca foi você, mas agora simplesmente é</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando paro para lembrar do nosso encontro ontem muitas coisas soam confusas, e eu deveria parar de remoer e procurar sinais ou explicações,</p>
<p>ao mesmo tempo, me orgulho em escrever e a me refugiar nos meus registros, mesmo quando não passam de  palavras de ilusão e sonhos</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Havia mais alguém ontem além de nós dois, uma sombra que me recordo só agora, eu a sentia mas estava muito distraída para perceber o quão estranho ela era.</p>
<p>Dei um nome aquela sombra, &#8220;Expectativa&#8221;,</p>
<p>era o que podia ser naquela hora,</p>
<p>e o que podia ser&#8230; agora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda pode ser, não é?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aquelas crianças continuam ali com seus cachorros agitados mas nós dois não estamos lá.</p>
<p>E não sei quando estaremos de novo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma, duas bicicletas passam por trás de mim e eu viro bruscamente para ver se é você, eu pareço uma idiota.</p>
<p>E o mais impossível – e de consequência o que também imagino, quando escuto passos</p>
<p>eu espero ver nós dois.</p>
<p>Eu estou com a sombra da expectativa,</p>
<p>eu descubro que eu mesma a sou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sinto que você está por aqui na ironia do outro lado, ou simplesmente queria que estivesse, e mais, que estivesse também pensando em mim</p>
<p>Escutando música e associando como eu estou fazendo, pensando, esperando, assim como eu</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É o mesmo horário do outro dia, mas com você não parecia tão escuro, com aspecto tão tarde.</p>
<p>Daqui a pouco eu preciso voltar,</p>
<p>sozinha,</p>
<p>até com você eu sou sozinha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Será que ainda dá tempo de você vir até aqui, perguntar o que eu estou fazendo: até quando eu posso esperar, você pode vir, pode nunca chegar, pode aparecer exatamente quando eu não estiver. Eu fico aqui me preparando para todo e qualquer diálogo, em mil variações possíveis</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todos os garotos são você até o olhar mais cético e o mais próximo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com a música de trilha sonora, vejo seu rosto sorrindo, penso em como combina com o filme da minha vida, com o que eu ando escrevendo, construindo&#8230; com as esperanças&#8230; não era para eu ter alimentado o que poderia ser antes do dia de ontem e o que pode vir a ser a partir de hoje, não era para eu estar fazendo nenhuma dessas coisas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu tenho que parar de esperar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello, 2012</p>
<p>Créditos da Imagem: Google</p>
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		<title>Demasia</title>
		<link>https://psiqueros.com/demasia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Dec 2018 20:13:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Não há jeito, temos que falar de amor. Não importa o tanto que precisei fugir, não interessa o curto convencimento de que não era de todo necessário. Mas o amor deve ser palavra, e daquelas de falar, escrever, ouvir, sentir. Não consigo avançar, tenho fragmento de passado, sonhos e desejos que passam ríspidos pela minha garganta, ânsia contínua de atingir o mundo de fora, meu mundo só é rascunho do pequeno. Meu ego de tamanho duvidoso (grande pequeno demais) faz tudo se resumir em mim, e consequentemente em planos, metas, em como sentir, como expressar, como escrever, falo de fome, falo de medo, ou seja é tudo sobre mim, é tudo um nada, de certa forma É muita palavra sem consistência, quantidade de frases sem valor. O dia que eu não tiver expectativa, tudo dará certo. Não deve ser o alvo ou o limite, deve ser consequência, por isso, apenas almejar não funciona. Tudo está no resumo do emborolamento, eu tranco porque tenho pouco a falar, ou muito? Tudo volta a mim porque é vazio demais ou em demasia? Se tudo é como deveria ser, tem como me explicar o que exatamente é agora? Eu só preciso seguir uma trilha, a errada, com pista, é melhor estar em lugar nenhum, do que simplesmente não estar. &#160; &#160; Isadora Mello, 2012 Créditos da Imagem: Weheartit Ilustrações: Isadora Mello &#160;  ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não há jeito, temos que falar de amor.</p>
<p>Não importa o tanto que precisei fugir, não interessa o curto convencimento de que não era de todo necessário.</p>
<p>Mas o amor deve ser palavra, e daquelas de falar, escrever, ouvir, sentir.</p>
<p>Não consigo avançar, tenho fragmento de passado, sonhos e desejos que passam ríspidos pela minha garganta,</p>
<p>ânsia contínua de atingir o mundo de fora,</p>
<p>meu mundo só é rascunho do pequeno.</p>
<p>Meu ego de tamanho duvidoso (grande pequeno demais) faz tudo se resumir em mim, e consequentemente em planos, metas,</p>
<p>em como sentir, como expressar, como escrever,</p>
<p>falo de fome, falo de medo, ou seja é tudo sobre mim, é tudo um nada, de certa forma</p>
<p>É muita palavra sem consistência, quantidade de frases sem valor.</p>
<p>O dia que eu não tiver expectativa, tudo dará certo.</p>
<p>Não deve ser o alvo ou o limite, deve ser consequência, por isso, apenas almejar não funciona.</p>
<p>Tudo está no resumo do emborolamento,</p>
<p>eu tranco porque tenho pouco a falar, ou muito?</p>
<p>Tudo volta a mim porque é vazio demais ou em demasia?</p>
<p>Se tudo é como deveria ser,</p>
<p>tem como me explicar o que exatamente é agora?</p>
<p>Eu só preciso seguir uma trilha, a errada, com pista,</p>
<p>é melhor estar em lugar nenhum,</p>
<p>do que simplesmente não estar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello, 2012</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
<p>Ilustrações: Isadora Mello</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-479 alignleft" src="https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia1-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia1-225x300.jpg 225w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia1.jpg 650w" sizes="(max-width: 225px) 100vw, 225px" /> <img decoding="async" class="wp-image-480 aligncenter" src="https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia2-300x225.jpg" alt="" width="387" height="290" srcset="https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia2-300x225.jpg 300w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia2-768x576.jpg 768w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia2-1024x768.jpg 1024w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia2-1140x855.jpg 1140w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia2.jpg 1301w" sizes="(max-width: 387px) 100vw, 387px" /><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-481 alignright" src="https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia3-300x225.jpg" alt="" width="383" height="287" srcset="https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia3-300x225.jpg 300w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia3-768x576.jpg 768w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia3-1024x768.jpg 1024w, https://psiqueros.com/wp-content/uploads/2019/03/demasia3.jpg 1066w" sizes="auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px" /></p>
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		<title>Cenho</title>
		<link>https://psiqueros.com/cenho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Dec 2018 20:24:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu vou te contar porque parei de andar (pelo menos para frente) eu vejo seus olhos tão claros e seu cenho franzido escuro e o que eu mais quero é me apaixonar por você Você não é tão alto ou tão forte, tem orelha pequena, voz estranha e nariz de batatinha, mas eu ainda quero amar você &#160; Tem fotos suas desastrosas e eu tenho aflição da sua insegurança, a timidez que te faz estúpido porque uma parcela de gente diz que você é imbecil mesmo (ou pelo menos me faz acreditar) e outra diz que é só sua timidez &#160; Eu nem sei em quem acreditar, vai que é gente que não quer que nós demos certo O que eles ganham com isso? A gente daria certo por nós, mesmo sem eles? &#160; eu nem sei o que eu acho disso porque eu costumo ver de menos, ou, mais frequentemente, ver demais, e nunca se trata da face da realidade. &#160; Mas você nunca fez nada para eu pensar que seria correspondida, e é aí a questão, será que eu gostaria mesmo de ser correspondida? &#160; Quantas impressões que mudaram, sei que não desperdicei tempo, escrevi quando me era favorável, tenho rascuhos perdidos em cadernos e detalhes na mente que estou um pouco apreensiva em revisar naquele extremo de pensar que possso estragar alguma coisa &#160; Impressões mudaram porque eu cresci com elas, me acostumei com outras, aprendi ou não tenho mais contato. &#160; alterno em tempos Minhas respostas não são as mesmas (nem mesmo são as mesmas perguntas) &#160; Isadora Mello, 2012 Créditos da Imagem: Weheartit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu vou te contar porque parei de andar (pelo menos para frente)</p>
<p>eu vejo seus olhos tão claros e seu cenho franzido escuro e o que eu mais quero é me apaixonar por você</p>
<p>Você não é tão alto ou tão forte, tem orelha pequena, voz estranha e nariz de batatinha,</p>
<p>mas eu ainda quero amar você</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tem fotos suas desastrosas e eu tenho aflição da sua insegurança,</p>
<p>a timidez que te faz estúpido</p>
<p>porque uma parcela de gente diz que você é imbecil mesmo (ou pelo menos me faz acreditar)</p>
<p>e outra diz que é só sua timidez</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu nem sei em quem acreditar, vai que é gente que não quer que nós demos certo</p>
<p>O que eles ganham com isso? A gente daria certo por nós, mesmo sem eles?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>eu nem sei o que eu acho disso porque eu costumo ver de menos, ou, mais frequentemente, ver demais,</p>
<p>e nunca se trata da face da realidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas você nunca fez nada para eu pensar que seria correspondida, e é aí a questão,</p>
<p>será que eu gostaria mesmo de ser correspondida?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quantas impressões que mudaram, sei que não desperdicei tempo,</p>
<p>escrevi quando me era favorável, tenho rascuhos perdidos em cadernos e detalhes na mente que estou um pouco apreensiva em revisar</p>
<p>naquele extremo de pensar que possso estragar alguma coisa</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Impressões mudaram porque eu cresci com elas,</p>
<p>me acostumei com outras,</p>
<p>aprendi ou não tenho mais contato.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>alterno em tempos</p>
<p>Minhas respostas não são as mesmas</p>
<p>(nem mesmo são as mesmas perguntas)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello, 2012</p>
<p>Créditos da Imagem: Weheartit</p>
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		<title>Mosquitinho de Luz</title>
		<link>https://psiqueros.com/mosquitinho-de-luz/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Isadora Mello]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Dec 2018 01:20:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[Tenho que aproveitar os resquícios da claridade do cinza claro do céu lá fora. Sinto-me em uma redoma de vidro, uma cápsula de luz fluorescente. Gosto de acreditar que sou energia, que meu corpo são zilhões de pequenos raios que ziguezagam fazendo luz, mas eu devo ser só mais um mosquitinho que se iludiu com a luz brilhante, ficou preso na expectativa de um mundo deslumbrante e morreu queimado. Meu corpo começa a esquentar, a chuva ligeira, depressa se dissipa, não entendo então porque as janelas continuam fechadas. Depois do temporal não é mais preciso se preocupar em acabar molhada, não posso continuar trancada na minha cúpula ignorando o frescor. Agora tenho vontade de sentir as gotas cavalgarem em meu peito, ter a sensação de ser levada pelos ventos, ou que de tão moles minhas roupas se deteriorem. Mas já é tarde, a chuva já passou, e sei que por mais que lute, quando ela vir de novo, meu primeiro impulso vai ser fechar as janelas. E só acompanhar as gotas se estribando nos vidros, como o ímpeto de tê-las na pele. &#160; Isadora Mello, 2012 Créditos da Imagem: Marina Gondra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho que aproveitar os resquícios da claridade do cinza claro do céu lá fora.</p>
<p>Sinto-me em uma redoma de vidro, uma cápsula de luz fluorescente. Gosto de acreditar que sou energia, que meu corpo são zilhões de pequenos raios que ziguezagam fazendo luz, mas eu devo ser só mais um mosquitinho que se iludiu com a luz brilhante, ficou preso na expectativa de um mundo deslumbrante e morreu queimado.</p>
<p>Meu corpo começa a esquentar, a chuva ligeira, depressa se dissipa, não entendo então porque as janelas continuam fechadas.</p>
<p>Depois do temporal não é mais preciso se preocupar em acabar molhada, não posso continuar trancada na minha cúpula ignorando o frescor.</p>
<p>Agora tenho vontade de sentir as gotas cavalgarem em meu peito, ter a sensação de ser levada pelos ventos, ou que de tão moles minhas roupas se deteriorem.</p>
<p>Mas já é tarde, a chuva já passou, e sei que por mais que lute, quando ela vir de novo, meu primeiro impulso vai ser fechar as janelas.</p>
<p>E só acompanhar as gotas se estribando nos vidros, como o ímpeto de tê-las na pele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isadora Mello, 2012</p>
<p>Créditos da Imagem: <a href="https://marinagondra.com/">Marina Gondra</a></p>
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