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Reflexão sobre o egocentrismo na internet
                                                                                                                                                

          Eu vou confessar uma coisa para vocês, eu estou com raiva do twitter ultimamente (rede social que permite os usuários enviarem e receberam rapidamente atualizações de seus contatos). Adoro quando falam de horóscopo, quando debatem sobre o que está passando na televisão ou simplesmente as pessoas dividem um mesmo assunto – é assim que vemos os benefícios da internet, pessoas se relacionando, expressando seus sentimentos e seus próprios pensamentos destacando as individualidades que existem por ai.

 

          Também gosto quando uma pessoa se compromete a recolher citações de famosos, ou trechos de músicas, de filmes e de livros. Olha, até me empolgo com alguns que dão de filósofos, e são eles mesmos que escrevem coisas incríveis! (Existem tantos novos talentos por ai) Eles falam coisas que nos fazem refletir e ficamos digerindo a frase por dias, pois de certa forma, elas têm uma ligação com a gente – seja direta onde nos reconhecemos, ou indiretamente, quando parece algo que aconteceu com um amigo ou um parente…

 

         Tem até alguns relatos de dias que são muito legais de ler (mas eu digo alguns, ficar falando que você tá com fome ou com sono, ou que comeu um biscoito, isso não acrescenta nada na minha vida). Mas existem vezes que é empolgante, às vezes a gente não tem noção que a vida real de alguém pode ser tão emocionante e cheia de detalhes a ponto de parecer um filme. Aqueles micro blogs que são destinados a falar de piadinhas e palhaçadas ou fazem paródias de fatos e pessoas também não tem como não rir. E nossa, é algo totalmente dinâmico e inovador terem famosos no twitter! Onde podemos acompanhá-los e chegarmos à conclusão de que são um ser humano como qualquer outro!

 

          Mas meu maior ódio começa a partir das febres de indicações, aquelas do tipo: “Siga cicrano! Indico fulano!” E a pior de todas, “Se você seguir o blablabla eu te indico” Que coisa de chantagem emocional de ainda-não-cresci-mentalmente! Nem vou então comentar sobre aquela propaganda e exibicionismo tosco dos “colírios” que só demonstram futilidades e egocentrismos. Ninguém percebe que pessoas que seguem desse jeito não te escolheram pelo seu talento, ou porque é especial? Qual é a graça de ter pessoas que te seguem assim? São só os números? Chegamos há um ponto de que o que importa são os números? E assim, nem temos idéia de quem é aquele que realmente curte o que fazemos e que acompanham o que digitamos.

 

          Então se de um lado, a internet abre as portas do mundo, ela também nos fecha, nos dividindo em pequenos muros separados, onde por um momento, temos a idéia de que tudo circula ao nosso redor. Escrevemos nossos textos, espalhamos nossos sentimentos, contamos nossos segredos, expomos nosso rosto, nosso corpo, nossa casa, nossa família. E parece que quanto mais tentamos simplesmente não lidar com críticas, mais as pessoas tentam comentar cada ato nosso. E a gente passa a fazer as coisas sem notarmos as conseqüências – coisas que deveriam pertencer ocultas, fotos e informações que não deviam ter sido publicadas, quando nos intrometemos na vida de uma pessoa, quando não temos noção de que podemos estar magoando.

 

          Muitas vezes, passamos a imagem do que não somos, ou, apesar de estarmos sendo sinceras as pessoas não captam a realidade – nos arriscando a parecer alguém falso, irreconhecível! E ocorrem tantas confusões existenciais! Não sabemos quem somos, temos muitos “tipos de ser” que poderíamos adotar (aqueles que queremos ser, aquilo que os outros acham que nós somos, o que os outros queriam que fôssemos, o que nós queríamos ser, e muitas mais possibilidades…)

 

          Não nos reconhecemos, não somos sinceros o suficiente com nós mesmos e com nossos gostos, opiniões e sensações (pois estamos mais próximos das modinhas e conscientes ou não, estamos seguindo às tais tendências que se colam ao nosso redor, como espécie de fascinação, quase como obrigação), as pessoas ainda sentem que já nos conhecem o suficiente e assim, no direito de se intrometer na nossa vida! (não as culpemos, nossa vida pessoal está cada vez mais pública!) Um caso normal vira polêmica em segundos, e é muito mais fácil atingirmos pessoas pelo computador já que permanecemos na tranqüilidade e na segurança de nossas próprias casas.

 

          A internet deveria ser algo incrível, um lugar onde as pessoas se conheceriam e se comunicariam, um lugar que não teria limites, tanto para aprender, quanto para desenvolver, para expressar. Um lugar onde cada pessoa diria o que sente e pensa e assim, cada um iria recolher o melhor de cada um, julgando o que não é bom, para tentar melhorar ou só por interpretar mesmo. Formando sua própria personalidade a partir do que gosta e não gosta, mas até isso sofre influência da internet.

 

          A internet acabou sendo um refúgio, uma máscara. Uma idealização de uma vida perfeita, um coração machucado que faz espetáculo com o sofrimento só para ganhar atenção, uma pessoa que não consegue ser ao vivo quem parece ser nas telas.

 

          Chega uma hora que não consigo mais entender, porque nos sentimos tão demais a ponto de falarmos sobre qualquer coisa e nos defender das críticas de forma: “aqui é o meu blog, então eu falo o que eu quiser.” Meu Deus! É quase como se eu falasse: “Esse aqui é o meu mundo, só eu importo, e estou pouco me lixando em quem você é.” Ou nos achamos tão demais a ponto de criarmos uma conta anônima e xingarmos os feitos e crenças de uma pessoa sem nem nos darmos o direito de justificar, de tentar ajudar com uma crítica construtiva! Achamos-nos tão demais, a ponto de começar a ligar demais para nós mesmos e simplesmente, esquecer os outros.

 

          É muito mais fácil fingir hoje em dia, fingir que está sofrendo, que está chorando só mudando o status, fingir que está bem com uma foto, fingir que está sentindo com um texto, fingir que se importa, com recados, fingir que gosta, tentando comprar pessoas e seguidores. Fingir que é fã, simplesmente porque colocou uma foto do artista, ou fingir que tem escrúpulos porque fingiu que se importa. É fácil fingir quando não se olha nos olhos.

 

          Eu não sei o que comentar, de um lado, adoro a liberdade de você falar o que pensa, pensar no que acredita, acreditar no que quiser, quiser o que sente, sentir o que fala, ser o que é e poder mostrar isso. Mas por outro, não tem como não sentir raiva de como as coisas vem seguindo cursos.

 

          Querem uma verdade? Ao invés de estarmos nos doando para o mundo e para a internet, mostrando quem somos, o que pensamos, o que sentimos, nós estamos deixando o mundo e a internet, estabelecerem isso para a gente. E ao invés de pensarmos nos outros e nos importarmos com o que acontece com o mundo, cada vez estamos só enxergando os nossos próprios umbigos.

 

         
Muitos beijos

 

Por: Isadora Mello

                                                                                
                         
                                                                                

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