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Amizades ao longo da vida

Reflexão sobre a individualidade dos grupos

                                                                                                                                                

         Pelo que eu me lembre, as amizades na pré-escola baseavam em bens matérias (e não falo dizendo com isso que as crianças são horríveis, elas não estão diferentes assim dos adolescentes). A gente escolhia a amiga que tinha o estojo de canetinhas com a maior opção de cores ou então aquela que tinha o brilho labial mais bonito, era praticamente regra de subsistência, escolhemos o líder que mais tem para oferecer em nossa tribo. A gente tentava não ficar brigado, sabe como é, as professoras davam sermões e era muito complicado se manter de mal. Eu não estou exagerando, minha irmã volta e meia diz que brigou com uma coleguinha e minutos depois já estão dando as mãos, e brigando de novo, e fazendo as pazes de novo. É que nesse tempo, por incrível que pareça; o gênio da criança está bem desenvolvido, ela quer se impor sobre os demais, quer ser espelho de seus pais, ou seja, mandando. E acaba nessa briga por controle, em chantagem:

         “Se você não fizer isso, eu não vou ser mais amiga”

          Nos primeiros anos do ensino fundamental seu primeiro amigo vai ser aquele que sua professora praticamente te obrigou, é uma amizade que muitas vezes não tem nenhuma concordância, o máximo que vocês teriam em comum seria os lugares próximos.

          Você começa a crescer e sua personalidade se desenvolve junto com você e ocorre a necessidade de você se envolver com pessoas mais parecidas, o mundo se abre, as professoras pedem mais socialização entre a turma e começam os trabalhos em grupo e os aniversários.

          Os anos seguem assim, muitos grupos que foram sendo criados e desmanchados de acordo com as novas tendências mas nem uma rivalidade tão absurda entre cada aliança. A gente ainda respeitava as diferenças. No final do ensino fundamental, a turma vira uma equipe, uma família, é aquela idéia de festa e viagem de formatura, de “seremos melhores amigos para sempre”. Estamos crescendo, seguindo nossos rumos e essa é hora de se aproveitar as novas amizades, aquelas que sempre existiram, ou relacionamentos que passaram por altos e baixos, é o fim de brigas e desentendimentos.

          O que aconteceu é que de muitos grupos onde seus integrantes eram iguais entre si, geraram um só grande grupo onde todos os integrantes eram diferentes. E se relacionam assim, se respeitavam , se divertiam, eram amigos. Perceberam inconscientemente que muitas pessoas ambicionando e se apaixonando por coisas variadas podem se dar bem juntos, até os mais parecidos percebiam pontos que não se correspondiam, mas isso os ajudava a crescer, a melhorar, a aprender e se enriquecer com o que os outros podiam oferecer. Era a variedade cultural, as expressões diversas, novas formas de pensar e agir… Um mundo em uma sala de aula.

         No ensino médio tudo muda (ou será que volta ao início da alfabetização?) A maioria encara uma escola nova, com muita gente, e os grupos já estão pré-definidos e só entra aquele que tiver a aparência e o gosto requerida do grupo.

          E aquela turma do ano passado não só se espalha, como se separa profundamente, pois o que até então o que nunca aconteceu, passa a ocorrer, os grupos não só se definem, como se afastam um do outro, cheio de ressentimentos.

         Parece que esses bandos já estão com livros fechados, uma história a qual ninguém mais pode fazer parte, só no caso, com muitas regras, ou com muito esforço, seguir um mesmo estereótipo, gostar das mesmas coisas, se vestirem do mesmo jeito, e um grupo que até então queria ser diferente, quer saber o quê? Ficam totalmente iguais.

          E até que ponto isso é verdadeiro? Se não é um integrante que disfarça se vestir de um jeito, gostar de tal tipo de coisa, fingir ter uma personalidade que não é a sua própria, só para agradar. As pessoas têm que começar a aprender a se relacionarem entre si, não colocarem um preconceito ou uma rixa antiga acima de qualquer julgamento.

          O respeito e a solidariedade começam a se desenvolver na infância das pessoas, e na escola. Quando é que vamos perceber que o bonito é ser diferente, original, especial? Grupos… Sim! Vários! Com quantas pessoas forem possíveis! Mas que cada um respeite a variedade, não perca o contato com o que acontece fora da caixa de seus “aliados” e mantenha, ali dentro, a sua própria individualidade!

 

Por: Isadora Mello

                                                                                
                         
                                                                                

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