Amizades ao longo da vida

“Se você não fizer isso, eu não vou ser mais amiga”
Nos primeiros anos do ensino fundamental seu primeiro amigo vai ser aquele que sua professora praticamente te obrigou, é uma amizade que muitas vezes não tem nenhuma concordância, o máximo que vocês teriam em comum seria os lugares próximos.
Você começa a crescer e sua personalidade se desenvolve junto com você e ocorre a necessidade de você se envolver com pessoas mais parecidas, o mundo se abre, as professoras pedem mais socialização entre a turma e começam os trabalhos em grupo e os aniversários.
Os anos seguem assim, muitos grupos que foram sendo criados e desmanchados de acordo com as novas tendências mas nem uma rivalidade tão absurda entre cada aliança. A gente ainda respeitava as diferenças. No final do ensino fundamental, a turma vira uma equipe, uma família, é aquela idéia de festa e viagem de formatura, de “seremos melhores amigos para sempre”. Estamos crescendo, seguindo nossos rumos e essa é hora de se aproveitar as novas amizades, aquelas que sempre existiram, ou relacionamentos que passaram por altos e baixos, é o fim de brigas e desentendimentos.
O que aconteceu é que de muitos grupos onde seus integrantes eram iguais entre si, geraram um só grande grupo onde todos os integrantes eram diferentes. E se relacionam assim, se respeitavam , se divertiam, eram amigos. Perceberam inconscientemente que muitas pessoas ambicionando e se apaixonando por coisas variadas podem se dar bem juntos, até os mais parecidos percebiam pontos que não se correspondiam, mas isso os ajudava a crescer, a melhorar, a aprender e se enriquecer com o que os outros podiam oferecer. Era a variedade cultural, as expressões diversas, novas formas de pensar e agir… Um mundo em uma sala de aula.
No ensino médio tudo muda (ou será que volta ao início da alfabetização?) A maioria encara uma escola nova, com muita gente, e os grupos já estão pré-definidos e só entra aquele que tiver a aparência e o gosto requerida do grupo.
E aquela turma do ano passado não só se espalha, como se separa profundamente, pois o que até então o que nunca aconteceu, passa a ocorrer, os grupos não só se definem, como se afastam um do outro, cheio de ressentimentos.
Parece que esses bandos já estão com livros fechados, uma história a qual ninguém mais pode fazer parte, só no caso, com muitas regras, ou com muito esforço, seguir um mesmo estereótipo, gostar das mesmas coisas, se vestirem do mesmo jeito, e um grupo que até então queria ser diferente, quer saber o quê? Ficam totalmente iguais.
E até que ponto isso é verdadeiro? Se não é um integrante que disfarça se vestir de um jeito, gostar de tal tipo de coisa, fingir ter uma personalidade que não é a sua própria, só para agradar. As pessoas têm que começar a aprender a se relacionarem entre si, não colocarem um preconceito ou uma rixa antiga acima de qualquer julgamento.
O respeito e a solidariedade começam a se desenvolver na infância das pessoas, e na escola. Quando é que vamos perceber que o bonito é ser diferente, original, especial? Grupos… Sim! Vários! Com quantas pessoas forem possíveis! Mas que cada um respeite a variedade, não perca o contato com o que acontece fora da caixa de seus “aliados” e mantenha, ali dentro, a sua própria individualidade!
Por: Isadora Mello
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