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Antes que eu vá

Resenha do livro: “Antes que eu vá” da autora Lauren Oliver

                                                                                                                                                        

Título Nacional: Antes que eu vá / Título Original: Before I fall /

Autora: Lauren Oliver / Editora: Intrínseca / Tradutora: Rita Sussekind

Ano de Lançamento: Julho de 2011

 

         A história se concentra ao redor da vida de Samantha Kingston, a Sam, é narrada em primeira pessoa com muitos detalhes. Sam estuda no Colégio Thomas Jefferson, e é extremamente bem explorado esse cenário de escola americana: os jogadores de futebol, os garotos e garotas excluídos, os professores, as meninas que querem ser populares, e principalmente, as que já são populares, como é o caso da nossa protagonista. O legal é que a história retrata não o dia-a-dia de uma menina comum e sofrida, mas aquele tipo de menina que serviria exatamente para ser a antagonista da história. Sam junto com suas melhores amigas, Lindsay, Elody e Ally, lideram aquela escola, e elas se orgulham de estarem no topo, tendo benefícios como vagas especiais de estacionamento e lugares reservados no refeitório, Sam ainda tem o privilégio de namorar o garoto mais cobiçado.

         Eu não sabia como uma história com meninas más e vingativas, daquelas que infernizam a vida dos outros que não são tão bem apropriados em quesito de beleza e dinheiro como elas, poderia dar certo. Mas é ai que vem a jogada de mestre, Lauren Oliver, a escritora, não mostra somente adolescentes perturbadas, com egos enormes e que dão valor a futilidades, ela acaba humanizando esse tipo de menina, mostrando que elas também possuem suas inseguranças, seus medos, que elas possuem fraquezas e que muitas vezes têm pavor de certos vestígios de seu passado.

         Por se concentrar em adolescentes, a história é bem jovem, com muitos assuntos sobre sexo, namoro, drogas, bebidas, mas principalmente popularidade e bullying, assuntos que tanto estão presentes na nossa própria realidade. É ai que vem a crítica da autora por meio das descobertas de sua personagem. Samantha começa a aprender sobre valores, quando sofre um acidente de carro e descobre que morreu. Como se não pudesse ficar pior, ela não teve nenhuma espécie de visão em seu leito, não reviu cenas marcantes de seu passado, não pensou nem em suas amigas e nem no seu namorado, descobriu que nem sequer tinha dito adeus para sua família. E então Sam tem a chance de reviver o dia de sua morte, não entendendo bem o porquê daquilo. Talvez estivesse ganhando uma nova chance de viver…

         Sam morre em uma sexta-feira, dia 12 de fevereiro, dia do cupido ou como conhecemos, dia dos namorados, em sua escola. No começo não entende o que está acontecendo, então sua primeira tentativa é fazer com que o novo dia que surge seja a sua oportunidade de mudar o futuro que lhe aguarda. Mas sem querer, só com a mudança de poucos detalhes, tudo ao redor de seu mundo pode mudar completamente. Foi por ter chegado atrasada, por exemplo, que ela e suas amigas não estacionaram em certa vaga, então uma menina da escola pôde estacionar lá e não perdeu sua avaliação de educação física, não sendo assim, expulsa da equipe de natação.

         Esse mundo conectado, como teia de aranha que a autora criou é fantástico, você percebe que tudo se relaciona, e que uma simples mudança em um gesto pode mudar o curso de muitas coisas. Como a teoria do caos e seu “efeito borboleta”. A teoria que diz que qualquer acontecimento, como o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas. E, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.” Ou seja, cada ato tem muito mais do que a sua própria conseqüência.

         Sendo espectadora de sua própria vida, em um mesmo dia, Sam descobre os diversos lados. Ela acaba conhecendo fragmentos das histórias das pessoas, como seus segredos e sentimentos, que nunca havia parado antes para pensar, ou que simplesmente nunca havia se interessado! Coisas que aconteciam enquanto ela não via, quando não participava, quando não se sentia o centro do universo. A vida corria sem ela, e tudo era possível acontecer a cada vez que ela trocava suas escolhas. Muitas pessoas gostariam de ter a chance de mudar alguma atitude no passado, mas Sam não se deu muito bem no começo, não aceitando que por mais que impedisse o acidente, quando acordasse no outro dia, seria aquela mesma manhã de 12 de fevereiro. Sam se vê presa num ciclo vicioso não tendo idéia do que têm que fazer para poder escapar de seu castigo, já tinha tentado fugir do acidente e salvar sua própria vida, mas entendeu que essa não era sua missão.

         Uma das partes mais geniais do livro, é que Samantha cansada em procurar o que devia fazer, resolve se rebelar com seu destino. Ela passa a odiar o fato de saber que vai morrer, e que só tem aquele dia para realizar todos os seus desejos. Sonhos que alimentou e acreditou por toda a sua vida e que nunca teriam a oportunidade de acontecer. Imagina você descobrir um dia que nenhum dos seus sonhos irá se realizar? Samantha tinha só aquela chance de aproveitar a sua vida… Brigou com suas amigas, gastou dinheiro dos seus pais, fez uma superprodução com roupas novas e maquiagens caras para uma festa – E aquilo, realmente lhe valeu à pena?

         No outro dia, tudo aquilo parece nem ter acontecido, suas amigas ainda a amam, o cartão de crédito de sua mãe está intacto, a festa ainda está para acontecer… Mas ela sente, que em um espaço de tempo, em algum lugar no universo, está lá aquela Sam, brigando com Lindsay, aquela Sam que gastou o dinheiro dos seus pais. A forma que essa teoria foi usada e explicada no livro é a minha parte favorita, foi uma idéia genial colocar em questão, se existem várias linhas de tempo por ai, onde suas ramificações se estendem a cada troca de destino…

         Com o passar dos dias – os capítulos sendo dividido em suas experiências a cada manhã – Sam vai amadurecendo, seus conceitos e valores vão sendo estudados e restabelecidos, ela vai aprendendo com os seus erros, vai vendo o que perdeu e deixou de aproveitar em sua vida, e como fez muitas escolhas erradas. Descobre o verdadeiro amor, como foi má e não soube valorizar em alguns momentos, como poderia ser vista pelas outras pessoas, e até que desconhecia episódios de sua própria família, ou de suas próprias melhores amigas, ou de apenas garotas que só as via nos corredores.

         Tantas coisas acontecem ao nosso redor, tantas coisas podem variar de resultado com apenas algumas mudanças de atitude. Tantas histórias, pensamentos e sentimentos são sentidos e vividos por pessoas ao nosso redor que nem sequer temos noção, ou são bem diferentes do que pensávamos com nossos preconceitos.

         É uma lição de vida, porque podemos aprender isso e executar as descobertas no nosso dia-a-dia, a gente não precisa morrer para reconhecer todas as vezes que agimos mal, não precisamos morrer para nos arrependermos das coisas que fizemos ou deixamos de fazer. E tratar cada dia como se fosse o último, registrando e criando memórias para sempre, dando carinho e atenção para nossos amigos e familiares. Valorizar a vida que temos, os caminhos que podemos escolher, e as chances que aparecem e podemos seguir. Mas também nos ensina a dar atenção a quem divide o mesmo mundo que a gente, se importar com o que essas pessoas pensam e sentem. E que o mundo é muito mais do que aquilo que a gente pensa, muito mais que só nós mesmos.
                  

Por: Isadora Mello

                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

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